Nos primórdios da antropologia moderna: a Ásia de João de Barros
DOI:
https://doi.org/10.57759/aham2003.37801Resumo
Tida tradicionalmente como um dos expoentes máximos da «abertura ao Outro», operada pelo humanismo português, a Ásia de João de Barros é hoje uma obra carente de reinterpretação. O presente artigo ensaia a sua releitura focando os trechos de etnografia e de história oriental com vista à identificação das concepções antropológicas e históricas subjacentes. A descoberta do outro deve neste âmbito ser vista como uma aceitação do estranho como sendo essencialmente mesmo. Graças ao postulado de uma continuidade cultural global enraizada numa concepção bíblica e clássica da história, que conferia à humanidade um potencial de diversidade muito reduzido, as culturas africanas e orientais entraram pela pena de João de Barros na órbita de uma antropologia unitária que veio a constituir a base dos grandes sistemas taxonómicos da modernidade.
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Direitos de Autor (c) 2003 Zoltán Biedermann

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