A Comprehensive Critical Reappraisal of “The Kilwa Chronicle”: Manuscript Traditions, Historiographical Layers, and Scholarly Debate
DOI:
https://doi.org/10.57759/aham2023.46384Palavras-chave:
Crónica de Kilwa, problema de Shiraz, costa Suahili, palimpsesto histórico, transmissão de manuscritos, mistura genéticaResumo
Este artigo apresenta uma reapreciação crítica da Crónica de Kilwa (Kitāb al-sulwa fī akhbār Kulwa), o principal relato indígena árabe do Sultanato de Kilwa, na costa suaíli da África Oriental. Defende-se que a crónica constitui um palimpsesto histórico, composto por dois núcleos distintos: o primeiro, provavelmente seiscentista, redigido na sequência da devastadora conquista portuguesa de 1505; o segundo, correspondente a uma redacção omani do século XIX, concluída em 1877 sob a regência do sultão Barghash de Zanzibar. A análise assenta numa metodologia tripartida: 1) comparação, linha a linha, entre o único manuscrito árabe sobrevivente (British Library Or. 2666) e a versão portuguesa quinhentista de João de Barros; 2) análise manuscritológica detalhada da sua história de transmissão, com particular destaque para as intervenções editoriais decisivas do copista de 1877, Shaykh ‘Abdullāh ibn Muṣbaḥ al-Ṣuwāfī; e 3) reavaliação crítica das afirmações do texto no contexto do extenso debate em torno do chamado “problema shirazi”, à luz de dados arqueológicos recentes e de estudos de ADN antigo, que apontam para uma miscigenação selectiva entre elites persas e africanas, ao invés de uma migração em larga escala. Em última análise, argumenta-se que a principal relevância da crónica não reside na narração directa e factual de acontecimentos do século X, mas no facto de revelar as sensibilidades históricas da sociedade de Kilwa no século XVI e a subsequente reaproveitação política omani no século XIX. Torna-se, assim, indispensável uma abordagem estratificada e crítica das fontes para a sua integração rigorosa na historiografia suaíli.
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