Os «discursos» de planificação social e os sistemas de exclusão que os demarcam
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197645.07Palavras-chave:
planificação social, significados, génese dos discursosResumo
A expressão «planificação social», quer usada na linguagem corrente, quer em obras ditas científicas ou técnicas, designa um conjunto heterogéneo e díspar de matérias e uma multiplicidade de orientações ideológicas, não raro contraditórias. Como primeira aproximação do problema da delimitação de um conteúdo da «planificação social», procede-se neste artigo a uma inventariação quanto possível exaustiva dos significados contidos naquela expressão, procurando repô-los no contexto das respectivas sintaxes. Deste modo, ao mesmo tempo que se faz ressaltar a ambiguidade da expressão e a consequente necessidade de ruptura com as noções do senso comum ou com as definições etimológicas, torna-se evidente que a expressão «planificação social» só é legível a partir do contexto teórico-ideológico a que se reporta em cada caso e ainda que falar de «planificação social» remete forçosamente para uma dada forma de apreender o real. As ideias de Michel Foucault sobre a «ordem do discurso» fornecem, porém, um quadro de referência epistemológico que se revela particularmente fecundo para uma segunda aproximação do problema em causa. Duas interrogações constituem o ponto de partida desta segunda aproximação: qual a génese dos «discursos» de «planificação social»? Quais os traços ou marcas que a «ordem do discurso», com os respectivos sistemas de exclusão, tem imprimido aos «discursos» específicos de «planificação social»? Procura-se, por esta via, uma análise crítica, que se reputa indispensável, dos vários «discursos de planificação social» disponíveis.
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