Ideologia da igualdade social e reivindicações populares no Interregno de 1383-85
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197544.05Palavras-chave:
luta das classes sociais, interregno de 1383-85, ideologia igualizante, reivindicações de igualdadeResumo
As ideologias são as formas de existência da luta das classes sociais no domínio das práticas sociais significantes (discurso, gestos, hábitos, atitudes, condutas, normas) - definição que, aliás, não deve ser interpretada como relegando as ideologias para o campo das interacções simbólicas. A análise dos discursos, gestos e condutas das classes sociais sublevadas em Portugal no Interregno de 1383-85 revela a existência de uma ideologia que, dentro de certos limites, se pode dizer igualizante, na medida em que se opunha aos privilégios da nobreza e do clero. Não era, porém, uma ideologia igualitária: as reivindicações de igualdade exprimiam-se sob a forma de exigências de privilégios. Tão-pouco era uma ideologia de âmbito nacional: os privilégios reivindicados eram os de fracções locais ou corporativas da burguesia, não os desta classe no seu conjunto. Só do campesinato, classe que suportava todo o peso do edifício social», poderia na verdade provir uma concepção igualitária da sociedade. Mas os «ventres ao sol» portugueses, como os jacques franceses, encontravam-se demasiado presos na rede das relações senhoriais e demasiado isolados no seu labor, para que pudessem exprimir-se por algo mais que simples gritos de revolta inconsequentes.
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