Crentes e conversos: a República na província (Outubro de 1910-Maio de 1911)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.197541.02Palavras-chave:
Partido Republicano Português, política do Governo Provisório, provínciaResumo
O Partido Republicano Português, que assumiu o governo após a queda da Monarquia, era um movimento pequeno-burguês cuja força se concentrava essencialmente nas duas principais cidades do País. Para ser viável, a República carecia, pois, de encontrar ou construir uma base de sustentação mais ampla, quer no conjunto do território, quer entre as classes trabalhadoras. Em artigo anterior mostrou-se que a política do Governo Provisório teve por efeito tornar impossível a colaboração dos sindicatos e do Partido Socialista com o novo regime político. Neste artigo mostra-se que a política adoptada em relação à província, sendo talvez necessária nas circunstâncias imediatas, teve também, a longo prazo, consequências desastrosas para a estabilidade da República. Com efeito, reduziu, em vez de alargar, a sua base social de apoio, produziu divisões entre as próprias forças que a sustentavam e fomentou uma hostilidade maior e mais agressiva dos seus inimigos.
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