A interseccionalidade como lente para o diálogo com o espaço urbano e o digital
Leituras sobre gênero, raça e classe no eixo Sul-Sudeste brasileiro
Palavras-chave:
Interseccionalidade, espaço urbano, espaço digital, pós-COVID-19Resumo
O artigo aborda a ideia norteadora de interseccionalidade, com ênfase em três marcadores intercruzados — gênero, classe, raça —, em diálogo com o espaço urbano e o digital. Começa com uma apresentação da região selecionada para a leitura do tema, o eixo Sul-Sudeste brasileiro, para explicar, sob perspetiva histórica, lógicas de opressão e privilégio contemporâneas e sua relação com a materialidade; e as tecnologias digitais como lugar de mediação e reprodução destes processos. O objetivo é usar esta lente interseccional para perceber práticas urbanas relacionadas com mulheres pobres e racializadas, e como esta realidade se relaciona com as suas representações midiáticas. Para tal, recorre-se à construção de um quadro teórico-conceitual estruturante, assente numa revisão bibliográfica crítica sobre essa ideia de interseccionalidade e sua relação com a discriminação e o privilégio; à construção de um quadro empírico sobre desigualdades no acesso digital e seu impacto em termos de acesso aos benefícios das tecnologias; à seleção de plataformas digitais, concretamente de redes sociais que informem sobre performances identitárias para a escolha de casos de estudo ilustrativos; e à análise de casos concretos para aprender, por um lado, com paradigmas de exclusão, opressão e invisibilidade e, por outro lado, com casos de resistência inspiradora conducentes a um feminismo digital apontado para inclusão (social, espacial, urbana) e transformação social.
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