Evolução do(s) Conceito(s) de Desenvolvimento. Um Roteiro Crítico

  • Bárbara Ferreira Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações (SOCIUS/CSG) Lisbon School of Economics & Management (ISEG) Universidade de Lisboa Rua Miguel Lupi, 20 1249-078 Lisboa, Portuga
  • Rita Raposo Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações(SOCIUS/CSG), Lisbon School of Economics & Management(ISEG), Universidade de Lisboa, Rua Miguel Lupi, 20, 1249-078 Lisboa, Portugal
Palavras-chave: desenvolvimento, desenvolvimento alternativo, desenvolvimento sustentável, pós-desenvolvimento

Resumo

Este artigo visa, de forma exploratória, apresentar algumas das questões centrais na evolução do conceito de desenvolvimento. Sem a pretensão de ser uma recensão exaustiva dos principais teorizadores da problemática, procura antes apontar alguns dos principais percursos do conceito ao longo das últimas décadas. Mais especificamente, procura-se distinguir as fases e modelos de desenvolvimento mais disseminados, com especial enfoque na evolução do pensamento desenvolvimentista mainstream e dos desenvolvimentos “alternativos”, que começaram a surgir a partir da década de 1980. Debatem-se ainda algumas das características do desenvolvimento sustentável, assim como os contributos das teorias do pós-desenvolvimento, que se afirmam como uma alternativa ao conceito de desenvolvimento.

Referências

Acosta, A. (2012). O Buen Vivir: Uma oportunidade de imaginar outro mundo. In D. D. Bartelt (Org.), Um campeão visto de perto. Uma análise do modelo de desenvolvimento brasileiro (pp. 198-216). Rio de Janeiro: Heinrich-Böll-Stiftung.

Acosta, A. (2013, 16 novembro). Correa trocou o “socialismo do século XXI pelo extractivismo do século XXI”. Entrevista ao jornal Público.

Amaro, R. R. (1991). Lógicas de espacialização da economia portuguesa. Sociologia: Problemas e Práticas, 10, pp. 161-182.

Amaro, R. R. (2004). Desenvolvimento: Um conceito ultrapassado ou em renovação? Da teoria à prática e da prática à teoria. Cadernos de Estudos Africanos, 4, pp. 35-70.

Amaro, R. R. (2009a). A economia solidária da Macaronésia: Um novo conceito. Revista de Economia Solidária, 1, pp. 11-29.

Amaro, R. R. (2009b). Desenvolvimento local. In A. D. Cattani et al. (Coord.), Dicionário internacional da outra economia (pp. 108-113). Coimbra: Almedina & CES.

Amaro, R. R./BIT. (2003). A luta contra a pobreza e a exclusão social em Portugal. Experiências do Programa Nacional contra a Pobreza. Genebra: Bureau Internacional do Trabalho.

Arnstein, S. R. (1969). A ladder of citizen participation. Journal of the American Institute of Planners, 35(4), 216-224.

Barber, B. (2003). Strong democracy: Participatory politics for a new age. Berkeley: University of California Press. (Obra original publicada em 1984)

Barca, F. (2009). An agenda for a reformed cohesion policy. A place-based approach to meeting European Union challenges and expectations. Independent report prepared at the request of Danuta Hübner, Commissioner for Regional Policy.

Barro, R. J., & Sala-i-Martin, X. (2004). Economic growth (2ª ed.). Nova Iorque: McGraw-Hill.

Blewitt, J. (2008). Understanding sustainable development. Londres: Earthscan.

Bliss, F., & Neumann, S. (2008). Participation in international development discourse and practice: “State of the art” and challenges. INEF Report (Vol. 94/2008). Duisburg: Institute for Development and Peace, University of Duisburg. Disponível em: http://inef.uni-due.de/​cms/​files/​report94.pdf (consultado em 16 de Maio de 2011).

Chang, H. (2002). Lessons for the present. In H.-J. Chang, Kicking away the ladder: Development strategy in historical perspective (pp. 125-141). Londres: Anthem Press.

Comissão de Brundland. (1987). Our common future. Oxford: Oxford University Press.

Egelston, A. (2013). Sustainable development: A history. Heidelberg, Nova Iorque & Londres: Springer.

Escobar, A. (2005). El “postdesarrollo” como concepto y práctica social. In D. Mato (Coord.), Políticas de economía, ambiente y sociedad en tiempos de globalización (pp. 17-31). Caracas: Facultad de Ciencias Económicas y Sociales, Universidad Central de Venezuela.

Eurodad Report. (2007). Untying the knots: How the World Bank is failing to deliver real change on conditionality. Disponível em: http://www.eurodad.org/​whatsnew/​reports.aspx?id=1804

Evans, P. (2004). Development as institutional change: The pitfalls of monocropping and the potentials of deliberation. Studies in Comparative International Development, 38(4), 30-52.

Fragoso, A. (2005a). Contributos para o debate teórico sobre o desenvolvimento local: Um ensaio baseado em experiências investigativas. Revista Lusófona de Educação, 5(5), 63-83.

Fragoso, A. (2005b). Desenvolvimento participativo: Uma sugestão de reformulação conceptual. Revista Portuguesa de Educação, 18(1), 23-51.

Frank, A. G. (1970). The development of underdevelopment. In R. Rhodes (Ed.), Imperialism and underdevelopment: A reader (pp. 4-17). Nova Iorque: Monthly Review. (Obra original publicada em 1966)

Freire, P. (1994). Pedagogia do oprimido (23a ed.). São Paulo: Paz e Terra. (Obra original publicada em 1970)

Friedmann, J. (1996). Empowerment: Uma política de desenvolvimento alternativo. Oeiras: Celta.

Fung, A., & Cohen, J. (2004). Radical democracy. Swiss Journal of Political Science, 10(4), 23-34.

Fung, A., & Wright, E. O. (2003). Thinking about empowered participatory governance. In A. Fung, & E. O. Wright (Eds.), Deepening democracy: Institutional innovations in empowered participatory governance (pp. 3-44). Londres & Nova Iorque: Verso.

González, F. J. A. (2013). El buen vivir, un paradigma anticapitalista. Pacarina del Sur [online], 16. Disponível em: http://www.pacarinadelsur.com/​component/​content/​article?id=779:numero-16-julio-septiembre-2013

Gudynas, E. (2011). Buen vivir: Today’s tomorrow. Development, 54(4), 441-447.

Harvey, D. (2000). Megacities lecture 4: Possible urban worlds. Amersfoort, Holanda: Twynstra Gudde Management Consultants.

Harvey, D. (2005). A brief history of neoliberalism. Nova Iorque: Oxford University Press.

Hespanha, P., & Santos, A. M. (Orgs.) (2011). Economia solidária: Questões teóricas e epistemológicas. Coimbra: Almedina.

Hickey, S., & Mohan, G. (2004). Towards participation as transformation: Critical themes and challenges. In S. Hickey, & G. Mohan (Orgs.), Participation: From tyranny to transformation? Exploring new approaches to participation in development (pp. 3-24). Londres & Nova Iorque: Zed Books.

Hoffman, A. (2012). The past, present, and future of community development in the United States. In N. O. Andrews, & D. J. Erickson (Eds.), Investing in what works for America’s communities: Essays on people, place and purpose (pp. 10-54). San Francisco: Federal Reserve Bank of San Francisco & Low Income Investment Fund.

Hogan, C. (2007). Facilitating multicultural groups: A pratical guide. Londres: Kogan Page.

Kippler, C. (2010). Exploring post-development: Politics, the state and emancipation. The question of alternatives. POLIS Journal, 3(1), 1-38.

Klein, N. (2007). The shock doctrine: The rise of disaster capitalism. Nova Iorque: Metropolitan Books/Henry Holt.

Latouche, S. (1987). Should one say no to development? Interculture, 95, pp. 26-35.

Latouche, S. (1995). Les querelles de mots du développement. Chroniques du SUD (Bulletin du Département SUD de l’ORSTOM), 14, pp. 20-27.

Latouche, S. (2003). L’imposture du développement durable ou les habits neufs du développement. Mondes en Développement, 31(121), 23-30.

Laville, J.-L. (2009). L’économie solidaire dans le débat théorique. Revista de Economia Solidária, 1, pp. 31-68.

Lucas, R. (1988). On the mechanics of economic development. Journal of Monetary Economics, 22(1), 3-42.

Maxwell, S. (2005). The Washington consensus is dead! Long live the (European) meta-narrative! Londres: Overseas Development Institute.

Mayer, M. (1994). Post-fordist city politics. In A. Amin (Ed.), Post-fordism: A reader (pp. 316-337). Oxford: Blackwell.

Meadows, D. H., Meadows, D. L., Randers, J., & Behrens III, W. (1972). The limits to growth: A report for the Club of Rome’s Project on the Predicament of Mankind. Nova Iorque: Universe Books.

Meadows, D. H., Randers, J., & Meadows, D. L. (2002). Limits to growth: The 30-year update. Vermont: Chelsea Green.

Meier, G. (2001). The old generation of development economists and the new. In G. M. Meier, & J. E. Stiglitz (Eds.), Frontiers of development economics: The future in perspective (pp. 13-50). Nova Iorque: Oxford University Press.

Meier, G. (2005). Biography of a subject: An evolution of development economics. Oxford & Nova Iorque: Oxford University Press.

Mouffe, C. (1992). Citizenship and political identity. October, 61, pp. 28-32.

Munasinghe, M. (2014, 14 de Julho). Os ricos do Mundo estão a consumir mais do que um planeta Terra. Entrevista ao jornal Público.

North, D. C. (1991). Institutions. Journal of Economic Perspectives, 5(1), 97-112.

Nunes, J. A. (2008). O resgate da epistemologia. Revista Crítica de Ciências Sociais, 80, pp. 45-70.

Nunes, J. A. (2010). Participação pública e acção colectiva. Disponível em: http://www.infoop.org/​observ/​parameters/​infoop/​files/​File/​upload/​Biblioteca_de_la_Democracia_Participativa/​Democracia_Participativa/​Participacao_publica_y_Accao_colectiva_J_Arriscado.pdf (consultado em 9 de Junho de 2011).

Panikkar, R., et al. (1984). Endogenous development? Namur Colloquium, June 28-July 2, 1983. Interculture, 17(3), 32-62.

Pearce, D. & Atkinson, G. (1998). The concept of sustainable development: An evaluation of its usefulness ten years after Brundtland. Swiss Journal of Economics and Statistics (SJES), 134(3), 251-269.

Pecqueur, B. (1989), Le développement local: Mode ou modèle? Paris: Syros.

Pieterse, J. N. (1998). My paradigm or yours? Alternative development, post-development, reflexive development. Development and Change, 29(2), 343-373.

Pieterse, J. N. (2010). Development theory: Deconstructions/reconstructions (2ª ed.). Londres & Thousand Oaks, CA: Sage. (Obra original publicada em 2001)

Putnam, R. D. (1993). The prosperous community: Social capital and public life. The American Prospect, 4(13), 35-42.

Rahman, M. A. (2004). Participatory development: Toward liberation or co-optation? In G. Craig, & M. Mayo (Eds.), Community empowerment: A reader in participation and development (pp. 24-32) (2a ed.). Londres: Zed Books. (Obra original publicada em 1995)

Rahnema, M. (2007). Participation. In W. Sachs (Ed.), The development dictionary: A guide to knowledge as power (pp. 116-132) (12a ed.). Londres: Zed Books.

Rist, G. (2008). The history of development: From Western origins to global faith (3ª ed.). Londres: Zed Books.

Rodrik, D. (2002). Estratégias de desenvolvimento para o novo século. In Brasil,

México, África do Sul, Índia e China: Diálogo entre os que chegaram depois (pp. 43-76). São Paulo: Unesp.

Romer, P. M. (1994). The origins of endogenous growth. Journal of Economic Perspectives, 8(1), 3-22.

Sachs, I. (1980). Studies in political economy of development. Oxford: Pergamon.

Sachs, I. (2002). Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Garamond.

Sachs, W. (1990). The archaeology of the development idea. Interculture, 23(4), Issue 109, 1-37.

Sachs, W. (1996). The political anatomy of sustainable development. Interculture, 29(1), Issue 130, 14-35.

Sachs, W. (1999). Planet dialectics: Explorations in environment and development. Londres: Zed Books.

Sachs, W. (Ed.) (2010). The development dictionary: A guide to knowledge as power (2ª ed.). Londres: Zed Books. (Obra original publicada em 1992)

Santos, B. S. (Org.). (2003a). Democratizar a democracia. Os caminhos da democracia participativa. Porto: Afrontamento.

Santos, B. S. (Org.) (2003b). Produzir para viver. Os caminhos da produção não capitalista. Porto: Afrontamento.

Santos, T. (2008). A teoria da dependência: Um balanço histórico e teórico. In Rede de Economia Global e Desenvolvimento Sustentável. Disponível em: http://www.reggen.org.br/​reggen/​CMS?idMateria=1E273C3279ECDD3260326FDB0F3A7343&idSecao=6 7501820-44FD-BFD1-B61C-B360338CD5D1 (consultado em 14 de Maio de 2011).

Scott, M. (1992). A new theory of endogenous economic growth. Oxford Review of Economic Policy, 8(4), 29-42.

Sen, A. (1999). Development as freedom. Nova Iorque: Knopf.

Silva, M. (1962). Desenvolvimento comunitário – Uma técnica de progresso social. Lisboa: Associação Industrial Portuguesa.

Simmons, M. (2000). Revisiting the limits to growth: Could the Club of Rome have been correct, after all?: An energy white paper.

Soromenho-Marques, V. (1998). A causa ambiental: Para uma visão de conjunto. O futuro frágil. Os desafios da crise global do ambiente (pp. 23-69). Estudos e Documentos, 296. Mem Martins: Europa-América.

Stiglitz, J. (2013, 13 de Outubro). Inequality is a choice. The New York Times, The Opinion Pages – The Opinionator.

United Nations. (2002). Johannesburg Declaration on Sustainable Development. United Nations Conference on Sustainable Development, Johannesburg, 26 Agosto - 4 Setembro 2002.

United Nations (2012). The future we want - Outcome document of the United Nations Conference on Sustainable Development, Rio de Janeiro, 20-22 de Junho de 2012.

Uphoff, N., Cohen, J., & Goldsmith, A. (1979). Feasibility and application of rural development participation: A state-of-the-art paper. Rural Development Committee/Center for Inter-national Studies. Nova Iorque: Cornell University.

Vaillancourt, J.-G. (1995). Sustainable development: A sociologist’s view of the definition, origins and implications of the concept. In M. D. Mehta, & E. Ouellet (Eds.), Environmental sociology: Theory and practice (pp. 219-230). Toronto: Captus.

Vincent, A. (1995). Modern political ideologies (2ª ed.). Oxford: Blackwell.

Vivien, F.-D. (2008). Sustainable development: An overview of economic proposals. SAPIENS [online], 1(2). Disponível em: http://sapiens.revues.org/​227 (consultado em 7 de Julho de 2014).

Wade, R. H. (2004). Is globalization reducing poverty and inequality? World Development, 32(4), 567-589.

Williamson, J. (Ed.) (1994). The political economy of policy reform. Washington, D.C.: Institute for International Economics.

Publicado
2018-06-08