Edições Anteriores

  • O processo de paz do conflito de Casamansa
    N.º 42 (2021)

    Este número temático dos Cadernos de Estudos Africanos reúne algumas contribuições dos participantes na Conferência Internacional “O Processo de Paz do Conflito de Casamansa”, realizada nos dias 22 e 23 de fevereiro de 2019 no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, cujo objetivo foi debater e partilhar experiências e contribuir para as estratégias de paz. A significativa audiência académica multidisciplinar e de líderes associativos ajudou a enriquecer o debate sobre a problemática do conflito e do processo de paz de Casamansa, em que foram analisados os seguintes temas: 

    - O conflito de Casamansa: comparações e perspetivas; 

    - O conflito, as dimensões transfronteiriças e o jogo das potências externas; 

    - Dimensões étnicas, religiosas e culturais do conflito; 

    - O papel das mulheres e das organizações da sociedade civil na construção da paz e a defesa do meio ambiente em Casamansa; 

    - Os pontos mortos e os silêncios na literatura sobre o conflito de Casamansa; 

    - O jogo de interesses dos protagonistas (MFDC e Estado): procuram eles a paz? Uma mediação é possível? A tentativa da Comunidade de Sant’Egídio;

    - O conflito e os recursos naturais: desafios e consequências.

  • Crossing the Lines: Local Actors’ Responses to Developmental Changes in Africa
    N.º 41 (2021)

    How do different actors respond to the challenges of development in Africa? This special issue brings together a collection of texts that seek to provide answers to this question from a multi-disciplinary and multi-methodological perspective. It draws on a critique of the concept of development, namely its neo-colonial heritage, and sheds light into the mechanisms used by local actors to respond to developmental challenges. 'African agency' is the cornerstone concept cutting across all papers. This multi-layered concept can be located at multiple scales from the local to the global and be used by a wide range of actors in their specific settings, and power configurations.  Across several case studies from Cabo Verde, Ethiopia, Ghana, Kenya, Malawi, Mozambique, and Zambia, this special issue reveals how African national governments, political elites, farmers, women, civil society organizations, among others, use the available room of manoeuvre to resist, take advantage, change, and voice discontent towards the inequalities and imbalances generated by developmental endeavours. The papers show how the politics of development is shaped by power relations that are seeded in the colonial past and that are continuously reinvented in the present. However, they also reveal a complex and at times surprising interplay between agency and structure in contemporary Africa. 

  • Ativismos em África
    N.º 40 (2020)

    O presente número temático é o resultado da persistência e da perseverança dos ativismos no continente africano e da crescente consciencialização da academia no estudo destes movimentos de transformação social. O termo “ativismo” tem sido uma das expressões mais marcantes para designar as formas de manifestação pública dos atores sociais, singulares e coletivas, das últimas décadas. O conceito tem sido projetado quer para os campos de ação política stricto sensu, como forma de designar atores que se inscrevem no campo político-partidário, mas também, lato sensu, para designar formas de mobilização e participação de grupos sociais que defendem e promovem direitos cívicos. De uma forma global, com a publicação deste número temático, pretende-se demonstrar como as performances sociopolíticas nos diferentes contextos em África geraram movimentos de protesto que, por sua vez, têm provocado várias lutas na paisagem democrática, nas transformações dos sistemas políticos.

  • Educação e Cooperação: Desafios de uma agenda global
    N.º 39 (2020)

    Este número temático da revista Cadernos de Estudos Africanos incide sobre Educação e Cooperação e pretende dar continuidade aos Congressos Cooperação e Educação que, de forma regular, desde 2010 têm sido organizados pelo Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL e o Instituto Politécnico de Leiria. O quarto congresso, que decorreu no ISCTE-IUL entre dias 8 e 9 de novembro de 2018, teve o apoio do Camões I.P., tal como acontece com a corrente publicação, pelo que os organizadores exprimem o seu reconhecimento a essa instituição. Subordinado à temática Cooperação e Educação de Qualidade, o congresso reuniu um conjunto notável de especialistas nesta área, entre os quais a maioria dos colaboradores desta publicação (Barreto, Carvalho & Santos, 2019). A presente edição visa aprofundar e desenvolver algumas das problemáticas abordadas anteriormente nesse fórum através de estudos de caso ou reflexões originais sobre as questões da cooperação em educação, das implicações das políticas de língua, ou ainda sobre a perceção do valor social dos diferentes níveis educativos. São aqui discutidas as implicações das agendas globais no domínio da educação para os países africanos e para Timor-Leste, recetores privilegiados das ações da cooperação portuguesa na área da educação. 

  • Three Decades of Elections in Africa: What have we learned about democracy?
    N.º 38 (2019)

    This dossier evaluates the state of African democracy and raises important questions such as: What is the impact of elections on democratisation and turnover? How do voters behave in different types of elections? What explains variations in citizens’ political participation over time? What is the role of political institutions on democratisation and conflict mitigation? Can the internet and social media act as forces of democratisation? The contributions in this dossier address these questions using different types of data and methodologies – ranging from comparative to in-depth cases studies. This methodological pluralism, is in our view an additional strength of this publication.

  • Working for better lives: Mobilities and trajectories of young people in West and Central Africa
    N.º 37 (2019)

    After more than a decade of emphasizing African children’s and youth’s agencies, possibilities and creativities in more or less challenging social, political and economic environments (see Bordonaro & Carvalho, 2010; Christiansen, Utas, & Vigh, 2006; Honwana & de Boeck, 2005; Martin, Ungruhe, & Häberlein, 2016; Spittler & Bourdillon, 2012), other recent studies increasingly highlight the young people’s powerlessness, bleak presents and uncertain futures. Doing so, the image of an enduring social, political and economic exclusion is manifested in popular conceptualizations of “being stuck” (Sommers, 2012), “persistent marginalization” (Resnick & Thurlow, 2015) and probably most prominently in Alcinda Honwana’s (2012) conceptualization of “waithood” (see Dhillon & Yousef, 2009), all implicitly acknowledging the more than twenty year old observation of Africa’s “lost generation” (Cruise O’Brien, 1996). Seemingly affected by deficiencies of various kinds and hence often forced into all sorts of problematic or dangerous engagements in order to – socially or literally – survive, today’s young generation in African settings is widely portrayed to live lives “out of place” (see Invernizzi, Liebel, Milne, & Budde, 2017) and outside social norms. It is this shift back to conceptualizations of children and youth as social problem that this special dossier aims to scrutinize and to challenge.
  • Moçambique e os BRICS
    N.º 36 (2018)

    Ao longo da última década vem florescendo um conjunto de literatura sobre os designados BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, a que mais tarde se juntou a África do Sul), as cinco economias emergentes que se destacam pela rápida industrialização e pela crescente influência a nível regional e internacional. Na sua relação com o continente africano em geral ou com Moçambique em particular, o discurso sobre os BRICS vem-se estruturando em torno de dois polos tendencialmente opostos: por um lado, como uma forma de cooperação Sul-Sul, como uma alternativa a formas neocolonialistas de exploração ou como um modelo alternativo de desenvolvimento para o continente africano; por outro, diversas organizações da sociedade civil têm alimentado um conjunto de preocupações sobre o impacto dos investimentos económicos, quer ao nível ambiental, da segurança no trabalho ou do reassentamento de populações, assim como do secretismo das relações com países africanos, realizando-se críticas a aspetos relacionados com a governação ou a defesa dos direitos humanos.

  • Da Resistência Colonial aos Desafios da Contemporaneidade: 40 anos de independência das colónias portuguesas
    N.º 35 (2018)

    Em novembro de 2015, o Centro de Estudos Internacionais-Instituto Universitário de Lisboa, O Centro de Estudos Sociais - Universidade de Coimbra, a Fundação Mário Soares e o Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa associaram-se na realização de uma conferência, intitulada Quarenta Anos das Independências. Destinada a analisar as trajetórias da descolonização portuguesa e as transformações nos territórios que, entretanto, se tornaram independentes, a conferência constituiu um marco importante não só na reunião de insvestigadores de vários centros de investigação, que se debruçam sobre estas temáticas, como também referenciou a vitalidade e sofisticação intelectual de áreas de estudo passíveis de cruzamento e complementaridade. No presente número da revista Cadernos de Estudos Africanos convidamos o leitor a passar em revista uma seleção de trabalhos bastante ricos empírica e teoricamente que abordam um leque variado de questões, produzidos por um conjunto de investigadores diverso e bastante reconhecido nas suas áreas de investigação.

  • Desenvolvimento e a Coerências das Políticas
    N.º 34 (2017)

    Este número dos Cadernos de Estudos Africanos reúne vários artigos sobre Desenvolvimento e a Coerência das Políticas. As contribuições são baseadas em abordagens multidisciplinares, de tipo politológico, antropológico, sociológico e económico, relativas às relações internacionais e aos estudos africanos, às quais se acresce uma entrevista a Ebba Dohlman, da OCDE. Pretende-se, nesta edição temática, dar um contributo independente, fundamentado e aprofundado para o objetivo de aprofundar a análise do Desenvolvimento e da Coerência das Políticas em várias vertentes, enquanto conceito e instrumento para a prossecução de políticas públicas mais sustentáveis e com maior impacto no desenvolvimento. Esta edição temática resulta de uma parceria entre o Instituto de Marquês de Valle Flôr – IMVF e o Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL, a propósito da divulgação científica dos resultados do projeto “A Coerência das Políticas para o Desenvolvimento - O desafio para uma cidadania ativa em Cabo Verde”. Para além dos textos que compõem o dossiê temático, este número incorpora ainda dois textos que discutem, respetivamente, a importância da obra de Mia Couto na implementação da lei brasileira n.º 10.639/03 e a transparência dos ministérios moçambicanos analisada em conformidade com a legislação.
  • Escravidão, Trabalho Forçado e Resistência na África Meridional
    N.º 33 (2017)

    Os textos reunidos no dossiê "Escravidão, Trabalho Forçado e Resistência na África Meridional" abordam, num largo arco temporal, o confronto entre as práticas políticas africanas e as dinâmicas decorrentes da presença colonial, tocando em temas centrais da historiografia africanista ao analisar como esses fenômenos ocorreram em Angola, Moçambique e no Congo. Trazem, assim, contribuições significativas para o debate sobre as dimensões da agência africana diante da conquista e do domínio colonial e dos modos de exploração do trabalho, ao mesmo tempo em que exercitam estratégias metodológicas para que essa perspectiva possa ser alcançada por meio de fontes majoritariamente produzidas pelos colonizadores.

    Integram ainda este número dois textos que versam, respetivamente, sobre a importância do Caminho de Ferro de Benguela para o desenvolvimento regional e sobre a mediação estatocêntrica na transformação de conflitos armados violêntos em África.

  • Desporto e Lazer em África: Entre os Vínculos do Passado e as Dinâmicas do Presente
    N.º 32 (2016)

    Este número dos Cadernos de Estudos Africanos é dedicado ao estudo do esporte e do lazer no continente africano. Nele estão reunidos trabalhos do III Encontro Internacional do Desporto e Lazer em África.Os artigos debruçam-se sobre regiões e países distintos, como Etiópia, São Tomé e Príncipe e África do Sul, investigados em um recorte temporal que vai da virada dos séculos XIX-XX, dando conta do processo de expansão colonial, às primeiras décadas do XXI, quando as críticas aos regimes africanos pós-independência ganharam maior intensidade. São abordados temas controversos como as representações nacionais e os benefícios econômicos dos grandes eventos esportivos.Na verdade, é preciso enfatizar o que os textos que compõem esse dossiê apontam: o esporte e o lazer podem ser analisados como objetos em si, mas também como “janelas” que permitem novas compreensões sobre temas mais investigados por estarem denotadamente ligados ao terreno do político e do econômico.
  • Movimentos Sociais, Estado e Sociedade Civil em África
    N.º 31 (2016)

    Este número dos Cadernos de Estudos Africanos verte sobre os movimentos sociais em África. Se trata de um tema muito presente no debate contemporâneo, mas ao mesmo tempo ainda não conhecido profundamente, considerada a multiformidade e heterogeneidade com que os movimentos sociais se manifestam no continente africano. E considerados também os complexos relacionamentos que eles mantêm com o poder político, com que geralmente entram em choque, duma forma ou doutra. Mediante a contribuição de especialistas desses movimentos e dos vários países aqui apresentados, este número dos Cadernos de Estudos Africanos visa despertar a atenção sobre algumas questões fundamentais: o que é que esses novos movimentos sociais africanos pretendem? Quais os meios das suas demonstrações? Quais os relacionamentos com os movimentos sociais globais de protesto contra uma ordem económica injusta e desigual? Que tipo de relações mantêm com o poder político dos vários Estados africanos? Como é que inserem a sua ação no seio de instituições geralmente e formalmente democráticas, mas na maioria dos casos intolerantes para com as críticas que recebem? Essas e outras questões constituem o pano de fundo dos artigos que foram aqui selecionados e que representam uma tentativa de análise e reflexão em volta de questões extremamente atuais e de certa forma sensíveis dentro do panorama dos Estudos Africanos contemporâneos.
  • Municípios e Poderes Locais em África
    N.º 30 (2015)

    Este número dos Cadernos de Estudos Africanos reúne textos sobre poderes locais em África, mormente sobre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Diga-se, nem sempre os veios históricos se mostram descodificáveis e nem sempre as filiações históricas parecem relevantes. Tratando-se de poderes locais, esta assunção é particularmente pertinente por estarmos a lidar com uma miríade de contextos sociais e de situações políticas a que as diversas estruturas e formas de poder local tiveram de se adaptar. E tal assunção ainda o é mais quando se discute África, que passou por uma profunda transformação política e social nas duas derradeiras centúrias. E, desta feita, em África como no mundo, deparamos com um processo de mudanças de consequências consabidamente incertas. Tendo por fundo as formas de poder local construídas em África, assim como as para aqui transpostas em resultado das interacções com outros continentes e, em particular, da colonização europeia, um conjunto de contribuições reunidas neste número analisa as dinâmicas do poder local em Angola no contexto da colonização portuguesa, reflectindo sobre aspectos sociais e políticos da câmara de Luanda no século XVII, as relações entre os sobas e as autoridades portuguesas no século XVIII e as tensões entre a administração militar e a administração civil durante o século XIX. Dois artigos investigam as formas de desconcentração e descentralização do poder em Moçambique desde as reformas da década de 1990, incidindo um sobre as políticas gradualistas adoptadas no país e o outro sobre o caso do município de Angoche. O último artigo foca as relações entre as autoridades tradicionais e o Estado na Guiné-Bissau na actualidade. O volume encerra com uma recensão crítica de duas obras sobre o poder local em Angola.

  • Camponeses em Movimento. Turbulências entre Dinâmicas Globais, Migrações e Segurança Alimentar
    N.º 29 (2015)

    Este número temático dos Cadernos de Estudos Africanosapresenta algumas das publicações resultantes do projeto de pesquisa African societies facing global dynamics: Turbulences between external intervention, migration, and food insecurity. A ideia subjacente era investigar as dinâmicas globais contemporâneas enfrentadas pelas sociedades africanas, a forma como elas interagem com processos internos de mudança e as respostas destas sociedades a essas pressões.As contribuições abordam as principais questões levantadas no projeto de pesquisa Dynamics de maneiras diferentes. Elas centram-se na análise das migrações (internas e internacionais), da transformação agrícola e a (in)segurança alimentar em diferentes sociedades e locais, explorando as ligações entre elas e as suas inter-relações com as dinâmicas globais. O trabalho foi baseado em estudos de caso realizados na Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Senegal. Uma contribuição adicional de Moçambique também foi incluída, uma vez que abordava as questões centrais do projeto.
  • Varia e Dossier "Multinational enterprises in Africa: Corporate governance, social responsibility and risk management"
    N.º 28 (2014)

    Este número dos Cadernos de Estudos Africanos divide-se em duas partes. Na primeira parte apresentamos um conjunto de três artigos que têm como elemento comum a análise de temáticas essencialmente de cariz político ou militar. A segunda parte estrutura-se em torno do dossier “Multinational enterprises in Africa: Corporate governance, social responsibility and risk management”.
    Contrariamente à diversidade temática que caracterizou o número anterior dos Cadernos de Estudos Africanos, neste número podemos encontrar, para além do enfoque na mesma problemática que necessariamente une os artigos reunidos em Dossier, alguns paralelismos temáticos e geográficos nos artigos que apresentamos. Em seis artigos temos dois artigos que se debruçam sobre a Nigéria e dois artigos que focam sobre a participação de atores não estritamente políticos nos governos de estados chefiados por líderes de partidos políticos. Contrariamente também a números anteriores, temos apenas um artigo centrado num país dos PALOP, e apenas um dos artigos é de um autor português. O facto de podermos diversificar e, por outro lado, congregar temáticas em números alternados e de a Revista estar a acolher um número crescente de autores de diversas nacionalidades e continentes que trabalham sobre problemáticas africanistas sob diferentes perspetivas, constituiu para todos os que trabalham e colaboram com esta Revista um motivo de grande satisfação. Tal demonstra ainda que os esforços realizados em prol da divulgação da Revista e da sua inserção em diferentes bases de dados estão a ter resultados concretos.
  • Varia e Memória a Patrick Chabal
    N.º 27 (2014)

    Abrimos este número dos Cadernos de Estudos Africanos com um texto de homenagem a Patrick Chabal da autoria de Clara Carvalho, directora do Centro de Estudos Internacionais, ao qual se segue uma entrevista realizada por Philip Havik a Malyn Newitt sobre este mesmo autor. Tanto o texto de Clara Carvalho, como as palavras de Malyn Newitt, que trabalhou com Patrick Chabal durante vários anos no King’s College de Londres, resumem sobre pontos de vista complementares a carreira e a obra de Patrick Chabal e a sua relevância para os Estudos Africanos. A seguir a esta entrevista sobre Patrick Chabal este número da Revista apresenta um conjunto muito diversificado de artigos de autores de diversas áreas disciplinares, países e em diferentes fases da sua carreira académica. Esta diversidade segue a linha de orientação que esta Revista tem vindo desenvolver e na qual nos propusemos intercalar estes números avulsos com números temáticos, como foi o caso do último que publicámos e centrado no tema do desporto.
  • Em torno das Práticas Desportivas em África
    N.º 26 (2013)

    Este número dos Cadernos de Estudos Africanos debruça-se sobre o desporto em África, olhando a sua história e as suas dinâmicas contemporâneas. Reflete, pois, o curso das investigações sobre um fenómeno presente no contexto das práticas do lazer e da evolução da cultura popular no continente. O interesse por este tema, até há pouco considerado marginal, traduz o reconhecimento da sua importância, não apenas enquanto objeto autónomo e merecedor de um olhar específico, mas também como instrumento para aceder a outras esferas do conhecimento sobre a história da África colonial e pós-colonial. Este volume dos Cadernos de Estudos Africanos pretende, desde modo, não apenas acrescentar conhecimento sobre realidades até aqui pouco exploradas, mas igualmente sugerir a discussão dos processos constitutivos da história de diversos países e regiões. Os vários artigos dialogam com temas que pautam o incremento dos estudos sobre África. A história colonial será talvez o mais significativo. O estudo do desporto é um meio privilegiado para examinar as relações entre colonizadores e colonizados, as formas de poder, a formação de grupos sociais, os processos de exclusão e incorporação social, também traduzidos nos mecanismos de acesso ou de interdição do lazer. Pelo enfoque no desporto acede-se às vivências de grupos sociais menos estudados. Relativamente ao contexto pós-colonial, abordam-se questões como a segregação racial, a construção de sociabilidades juvenis, a transição para a vida adulta e, ainda, o poder de construção identitária revelado pelo desporto. Hoje, no continente africano, as práticas e os consumos desportivos constituem-se como linguagens por intermédio das quais se expressam projetos e aspirações.
  • Varia e Recensões
    N.º 25 (2013)

    Abrimos este número dos Cadernos de Estudos Africanos com um conjunto de pequenos textos sobre Mário Murteira Esperamos que este conjunto de testemunhos de Luís Moita, José Pimentel Teixeira e Fernando Florêncio sobre este destacado economista português contribuam para des­pertar o interesse para uma (re)leitura da sua vasta obra. Após estas “palavras sobre Mário Murteira” este número 25 inicia-se com dois artigos sobre Angola, um versando sobre as questões de política económica e outro que aborda as questões das identida­des políticas em Cabinda. Seguem-se dois artigos centrados na época colonial, o primeiro focando questões do ensino na política islâmica em Moçambique e o segundo abordando temáticas ligadas à arquitetura colonial. O artigo seguinte, ainda centrado em África, reflete sobre a temática da monoparentalidade feminina na literatura africana. Os dois últimos artigos, embora analisando temáticas muito diversificadas, versam ambos sobre as influências da cultura africana em espaços fora deste continente. Por fim, e como tem sido usual, reunimos neste número duas recensões de livros recentemente publicados e de interesse indis­cutível para quem se dedica aos Estudos Africanos.
  • Africanos e Afrodescendentes em Portugal: Redefinindo Práticas, Projetos e Identidades
    N.º 24 (2012)

    Este número temático dos Cadernos de Estudos Africanos reúne sete artigos que oferecem outros tantos retratos das condições de vida e de dinâmicas socioculturais recentes entre a população de origem ou proveniência africana e afrodescendente na sociedade portuguesa contemporânea. Focados na Área Metropolitana de Lisboa, onde esta população se concentra, e baseados em pesquisa etnográfica, os primeiros seis artigos abordam as práticas de ajuda mútua dos imigrantes laborais cabo-verdianos em tempo de crise, a racialização da identidade entre jovens de ascendência cabo-verdiana, as cenas urbanas e transnacionais do hip-hop e do kuduro, o associativismo imigrante das mulheres santomenses, e os percursos de vida dos indianos do Gujarate com passagem por Moçambique. O artigo final ensaia uma panorâmica das representações de africanos e afrodescendentes na literatura e no cinema portugueses contemporâneos. Concluem este número duas recensões de livros recentes, o primeiro sobre a integração dos imigrantes africanos em Portugal e o segundo sobre a formação de cidades coloniais em diferentes fases do império português.
  • Varia e Recensões
    N.º 23 (2012)

    Dividido em duas secções – Artigos e Recensões – este número 23 da revista Cadernos de Estudos Africanos inclui artigos centrados não só em países africanos mas também em países onde a influência e a presença de africanos se faz sentir (Brasil e Portugal); artigos que abordam questões culturais, sociais, económicas e políticas; artigos centrados apenas em países específicos (Moçambique e Camarões) e artigos que abordam relações entre vários países e continentes; artigos produzidos por autores sedeados na Europa (Portugal), África (Camarões) e América do Sul (Brasil); e artigos escritos em língua portuguesa e inglesa por cientistas em pleno desenvolvimento da sua carreira e por outros que ainda estão em fase de conclusão dos seus doutoramentos.
  • Varia e Dossier "Desafios transnacionais de segurança em África no século XXI"
    N.º 22 (2011)

    Este número da revista Cadernos de Estudos Africanos reúne, além de artigos que abordam sob diferentes perspectivas disciplinares um conjunto variado de problemáticas e que vão desde as questões territoriais e identitárias à adivinhação, um “dossier” que agrega artigos que problematizam as relações transnacionais em termos das suas implicações para a segurança internacional com o enfoque nos movimentos de população através de fronteiras entre Estados Africanos e entre Estados Africanos e Europeus. Incluem-se ainda neste número recensões a livros recentemente publicados sobre questões étnicas, políticas, religiosas e identitárias no continente africano.
  • Varia
    N.º 21 (2011)

  • Identidades, Percursos e Clivagens nos PALOP
    N.º 20 (2010)

    Os artigos reunidos na presente edição dos Cadernos de Estudos Africanos são o resultado de um call for papers por ocasião de 35 anos de independência dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), lançado no ano passado. Devido à recusa da descolonização pela ditadura salazarista, a independência dos PALOP realizou-se quinze anos mais tarde do que na maioria das outras colónias europeias em África, na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal. Consequentemente, o contexto histórico-político da descolonização das colónias portuguesas caracteriza-se por algumas particularidades, nomeadamente lutas armadas de libertação, períodos de transição curtos, o êxodo dos colonos portugueses (Angola, Moçambique) e, depois da independência, a instalação de regimes monopartidários de orientação soviética que marcaram os primeiros quinze anos dos PALOP. Passados 35 anos desde a independência política, os caminhos percorridos pelos Cinco mostram semelhanças e diferenças, mudanças e continuidades e, apesar dos desenvolvimentos em algumas áreas, muitas esperanças que a independência criou ficaram ainda por realizar.
    A diversidade da área científica dos autores e a variedade temática dos artigos que recebemos correspondem à própria heterogeneidade que os cinco PALOP representam em termos geográficos, demográficos, históricos, culturais, económicos e políticos.
  • Youth and Modernity in Africa
    N.º 18-19 (2010)

    Este número da revista Cadernos de Estudos Africanos resultou do colóquio internacional Youth and Modernity in Africa que decorreu no ISCTE em Outubro de 2007. O objectivo deste evento foi o de explorar e problematizar a relação entre a geração e mudança, questionando a relação ambígua entre juventude e mudança social e cultural em África. Os autores desta edição especial aceitaram o desafio de analisarem o papel dos jovens em processos de transformação social, evitando a armadilha da limitação teórica de conceitos como modernidade ou modernização, mas sem negligenciar a notável dinâmica cultural que caracteriza a África contemporânea. Contribuem para este número Eric Gable, Cristina Udelsmann Rodrigues, Ramon Sarró, Henrik Vigh, Aghi Bahi, Elísio Macamo, Jean Bernard Ouédraogo e Lorenzo I. Bordonaro
1-25 de 36