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A Educação a Distância (EaD) | eLearning tem assumido um papel central nas políticas educacionais contemporâneas, como modalidade capaz de ampliar o acesso, promover a equidade e diversificar oportunidades formativas em distintos níveis de ensino. No contexto da cultura digital, marcado pela conectividade permanente, pela circulação intensiva de informações e pela emergência de novos ecossistemas de aprendizagem, impõe-se a necessidade de aprofundar investigações críticas e interdisciplinares acerca das políticas públicas, dos modelos de gestão, da formação docente e das práticas pedagógicas mediadas por tecnologias.
Conforme afirma Castells (1999), a sociedade contemporânea estrutura-se em redes, redefinindo relações sociais, institucionais e produtivas. De modo complementar, Lévy (1999) enfatiza a centralidade da inteligência coletiva e das dinâmicas colaborativas na cibercultura. Nesse cenário, os processos educacionais passam por reconfigurações significativas, assentes em processos de digitalização, reorganização institucional e inovação pedagógica.
No âmbito específico da EaD, Peters (2001) destaca o caráter sistémico e organizacional desta modalidade de ensino-aprendizagem, enquanto Oliveira (2022) sublinha a relevância da autonomia do estudante, da interação e da mediação pedagógica estruturada para assegurar qualidade académica. Tais contribuições evidenciam que a consolidação do eLearning exige, não apenas infraestruturas tecnológicas, mas também fundamentos pedagógicos consistentes e modelos institucionais coerentes. Este quadro pode tornar-se ainda mais desafiante se considerarmos também as dimensões da acessibilidade e da equidade.
A incorporação crítica das tecnologias digitais exige uma fundamentação pedagógica consistente. Assim, a inovação educacional depende da eficaz integração de metodologias ativas, tecnologias digitais e reorganização curricular com vista à criação de ecossistemas educativos pertinentes para todos os estudantes. Bates (2019) destaca que a qualidade da educação online está diretamente relacionada com o planeamento pedagógico, o design instrucional e o uso intencional das tecnologias.
Dado este contexto, pretendemos incentivar pesquisas que analisem práticas pedagógicas inovadoras, desenvolvimento de materiais didáticos digitais, experiências com recursos multimodais, avaliação de metodologias e impactos da transformação digital nos processos de ensino e aprendizagem, com destaque para aqueles que se integrem especificamente no quadro da promoção da acessibilidade.
Este dossiê propõe-se reunir estudos teóricos e empíricos que examinem criticamente a Educação a Distância em ambiente virtual nas suas múltiplas dimensões — políticas, institucionais, pedagógicas e tecnológicas. Neste sentido, serão bem-vindas pesquisas que, considerando as dimensões da acessibilidade e da inclusão, discutam:
- Tecnologias digitais emergentes em EaD
- Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA)
- Inteligência artificial, learning analytics e personalização
- Metodologias ativas e híbridas
- Design instrucional/educacional
- Produção, curadoria e avaliação de materiais educacionais digitais
- Educação aberta e a distância inclusiva
Referências
Bates, T. (2019). Teaching in a Digital Age: Guidelines for Designing Teaching and Learning. Vancouver: Tony Bates Associates.
Castells, M. (1999). A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra.
Lévy, P. (1999). Cibercultura. São Paulo: Editora 34.
Oliveira, E. T. (2022). Como escolher tecnologias para educação a distância, remota e presencial. São Paulo: Blucher, 2022.
Peters, O. (2001). Learning and Teaching in Distance Education. London: Routledge.
Organizadores:
Edison Trombeta de Oliveira (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza – CEETEPS), Brasil
Isabel Maria de Barros Dias (Universidade Aberta), Portugal
Daniela Melaré Viera Barros (Universidade Aberta), Portugal