Estilo de Vida em Universitários de Políticas Afirmativas
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47575Palavras-chave:
Estilo de Vida; Estudantes; Universidades; Promoção da saúde; Ações AfirmativasResumo
Introdução: O acesso ao ensino superior de qualidade está alinhado com os princípios da Agenda 2030 das Nações Unidas, contribuindo para a equidade, igualdade de género e redução de desigualdades. No contexto brasileiro, as políticas de ações afirmativas têm viabilizado este acesso nas universidades públicas. Contudo, o ambiente universitário pode desencadear comportamentos prejudiciais à saúde.
Objetivos: Avaliar o estilo de vida de universitários de políticas afirmativas.
Métodos: Investigação exploratória, de abordagem quantitativa, realizada entre agosto de 2024 e agosto de 2025 em três universidades do Ceará, Brasil. A amostra integrou 206 estudantes de licenciatura e pós-graduação de políticas afirmativas. Aplicou-se, via eletrônica (e-mail), um questionário sociodemográfico e o instrumento validado Estilo de Vida Fantástico que avalia nove domínios. Os dados foram analisados no programa Statistical Package for the Social Sciences® (versão 25.0), utilizando-se frequências absolutas e relativas. O teste de Mann-Whitney foi aplicado para associar os scores dos domínios ao sexo. O estudo foi aprovado pelo Comité de Ética (parecer n° 7035.734).
Resultados: A maioria dos participantes tinha entre 18 a 24 anos (71,3%), autodeclarava-se pardo (55,6%), não tinha companheiro (86,1%) e subsistia com rendimento familiar de até um salário-mínimo (58,3%). Globalmente, predominou estilo de vida classificado como “bom” (40,7%). Na análise por domínios, destacaram-se positivamente a atividade física vigorosa (45,9%), a ausência de tabagismo (81,0%) e o baixo consumo abusivo de álcool (62,5%). Em contrapartida, identificaram-se fragilidades na alimentação balanceada (“às vezes”: 35,7%), stresse/lazer reduzido (34,8%), pressinto de pressa (34,5%) e baixa satisfação laboral (26,9%). As mulheres apresentaram scores significativamente superiores aos homens nos domínios “Família e Amigos” (p<0,001) e “Tabagismo/Tóxicos” (p=0,023) além de um menor consumo de substâncias no domínio “Álcool e Drogas” (p=0,044).
Conclusões: Os universitários de políticas afirmativas apresentaram estilo de vida globalmente satisfatório, com indicadores positivos em atividade física e moderação no consumo de substâncias. Todavia, vulnerabilidades na alimentação, gestão do stresse, lazer e saúde mental reforçam a necessidade de estratégias institucionais de promoção da saúde e da qualidade de vida dessa população.
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