Desafios da Saúde Mental em Universitários de Políticas Afirmativas: Evidências sobre Depressão, Ansiedade e Stresse
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47555Palavras-chave:
Saúde Mental; Ansiedade; Depressão; Estudantes; Política PúblicaResumo
Introdução: Garantir o acesso à educação superior inclusiva é fundamental para criar sociedades mais justas e sustentáveis. As políticas de ações afirmativas estão, gradualmente, a alterar o perfil das universidades públicas brasileiras. No entanto, o ingresso no ensino superior marca um período de mudanças significativas que podem afetar a adaptação académica ou o desenvolvimento de padrões comportamentais prejudiciais à saúde.
Objetivos: Avaliar os níveis de ansiedade, depressão e stresse entre universitários beneficiários de políticas afirmativas.
Métodos: Estudo exploratório, de abordagem quantitativa, realizado entre agosto de 2024 a agosto de 2025 em três universidades do Ceará, Brasil. A população foi constituída por estudantes de licenciatura e pós-graduação de políticas afirmativas dessas três instituições. A recolha de dados ocorreu por via eletrônica (e-mail), aplicando-se um questionário sociodemográfico e a Escala de Ansiedade, Depressão e Stresse (EADS-21). A análise estatística foi realizada no programa Statistical Package for the Social Sciences® (versão 25.0). Utilizaram-se frequências absolutas e relativas para a descrever as variáveis categóricas. Para associar as subescalas ao sexo, aplicaram-se os testes Qui-quadrado e de Mann-Whitney. A investigação foi aprovada pelo Comité de Ética (parecer n° 7035.734).
Resultados: Participaram 206 estudantes, idade média de 24,6± (8,2 anos), sendo a maioria mulheres (52,4%), autodeclarados pardos (59,6%) e solteiras (59.6%). Evidenciou-se que os universitários de políticas afirmativas apresentaram níveis de ansiedade extremamente grave (48,1%), stresse (33,3%) e depressão (25,0%). Ademais, as mulheres apresentaram stresse significativamente superiores (média 9,73 versus 7,57; p=0,024) e maior agravamento da ansiedade (28,7% versus 19,4%; p=0,055) em comparação aos homens. Não foi identificada diferença significativa entre os sexos no nível de depressão (p=0,112).
Conclusões: A saúde mental dos estudantes de políticas afirmativas encontra-se comprometida. Torna-se urgente a criação de estratégias institucionais focadas na promoção da saúde mental, no fortalecimento de redes de apoio e na implementação de políticas que contemplem o bem-estar integral desses estudantes.
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