Religiosidade entre Universitários Brasileiros de Políticas Afirmativas
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47576Palavras-chave:
Religião; Espiritualidade; Estudantes; Saúde Mental; UniversidadesResumo
Introdução: A religiosidade refere-se a crenças, práticas e rituais que transcendem o indivíduo, orientando o seu comportamento. No contexto universitário, atua como ferramenta de enfrentamento para lidar com as elevadas exigências acadêmicas, promovendo o bem-estar mental, reduzindo a ansiedade e auxiliando no desempenho escolar.
Objetivos: Conhecer as práticas pessoais de religiosidade entre universitários de políticas afirmativas.
Métodos: Estudo transversal, quantitativo, realizado entre agosto de 2024 e agosto de 2025 em três universidades do Nordeste brasileiro. A população elegível compreendeu estudantes de licenciatura e pós-graduação abrangidos por ações afirmativas, matriculados a partir do segundo semestre e sem registro de licenças médicas ou parentalidade. A amostra final perfez 206 universitários. A recolha de dados ocorreu via eletrônica (Google Forms), aplicando-se um questionário sociodemográfico, questões sobre filiação e práticas religiosas e o Índice de Religiosidade da Universidade Duke (DUREL). Os dados foram analisados no Statistical Package for the Social Sciences®, (versão 25.0). Utilizaram-se frequências absolutas e relativas para as variáveis categóricas e o teste de Mann-Whitney para associar as dimensões da escala DUREL (médias e medianas) ao sexo. O estudo cumpriu os preceitos éticos (parecer n° 7035.734).
Resultados: A religião católica foi a mais frequente (38,0%), seguida da evangélica/protestante (25,9%), registrando-se uma proporção excessiva de ateus/agnósticos (31,6%). Quanto à frequência a templos ou centros religiosos, 45,7% declararam fazê-lo raramente. Todavia, 36,2% dedicaram-se a atividades religiosas individuais mais de uma vez por semana. Na dimensão de religiosidade intrínseca, as mulheres apresentaram médias ligeiramente superiores nos itens relacionados com o sentimento de presença de Deus e centralidade das crenças na vida (p=0,024). O score total de religiosidade intrínseca também foi discretamente superior no sexo feminino (10,02 ± 4,00 versus 9,30 ± 4,21).
Conclusões: Os universitários de políticas afirmativas demonstraram um perfil religioso heterogéneo, caracterizado por baixa participação coletiva e maior envolvimento em práticas individuais. A religiosidade intrínseca revelou-se mais elevada entre as mulheres, reforçando a relevância da dimensão espiritual na experiência académica.
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