Desafios para a Saúde Mental da População LGBTQIAPN+ frente à Violência Epistêmica nos Serviços de Saúde
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47663Palavras-chave:
Violência epistêmica; Populações Vulneráveis, Tessaúde; Saúde Mental; EnfermagemResumo
Introdução: A violência epistêmica constitui uma forma de exclusão que deslegitima saberes, identidades e experiências de grupos historicamente marginalizados, impactando diretamente o acesso e a qualidade do cuidado em saúde. Nesse contexto, a população LGBTQIAPN+ enfrenta barreiras estruturais que se manifestam em práticas discriminatórias, invisibilização de demandas específicas e dificuldades de acolhimento nos serviços de saúde.
Objetivo: Refletir sobre as implicações da violência epistêmica para a população LGBTQIAPN+ no contexto da saúde, relacionando-a aos desafios da saúde mental e às potencialidades da telessaúde.
Material e Métodos: Estudo reflexivo e exploratório, fundamentado em revisão integrativa da literatura realizada em 2025. O protocolo metodológico incluiu buscas sistematizadas nas bases LILACS, SciELO, BVS e Scopus, utilizando cruzamentos de descritores
controlados (DeCS/MeSH). A seleção seguiu critérios de elegibilidade rigorosos, focando em estudos que relacionassem violência epistêmica, saúde mental e inovações digitais no acolhimento de diversidades, especilamente da população LGBTQIAPN+.
Resultados: Identificou-se 30 estudos nas bases consultadas e, após aplicação de filtros e exclusão de duplicatas, a amostra final resultou em 12 trabalhos. Os resultados evidenciaram que a cis-heteronormatividade permanece institucionalizada nos serviços de saúde por meio de protocolos, formulários e práticas que desconsideram a diversidade. Isto induz à descontinuidade do cuidado e ao sofrimento psíquico severo e isolamento social. Nesse cenário, a telessaúde emerge como ferramenta estratégica potencialidade disruptiva, favorecendo acolhimento em ambiente de cuidado desterritorializado, que reduz o medo da estigmatização presencial e permitindo um monitoramento longitudinal mais humanizado. A telessaúde não apenas amplia o alcance geográfico, mas subverte a lógica da violência institucional ao possibilitar o protagonismo do sujeito em seu espaço de conforto. Entretanto, sua efetividade depende da capacitação dos profissionais, da adoção de práticas inclusivas e da incorporação de princípios éticos voltados ao respeito à diversidade.
Conclusões: O enfrentamento da violência epistêmica exige transformações e integração de tecnologias digitais e práticas assistenciais inclusivas. A integração entre práticas inclusivas de Enfermagem, ações em saúde mental e estratégias de telessaúde podem contribuir para a promoção da equidade, do cuidado integral e da garantia dos direitos da população LGBTQIAPN+.
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