Incontinência urinária em mulheres: efeitos na qualidade do sono

Autores

  • Carla Macedo CICS, Centro Interdisciplinar em Ciências da Saúde (CICS), ISAVE - Instituto Superior de Saúde, Rua Castelo de Almourol nº 13, 4720-155, Amares; ULS de Braga, Portugal
  • Débora Neves ULS de Braga, Portugal
  • Adriana Castro Universidade do Minho, Portugal
  • Margarida Fonseca Escola Superior de Saúde do Porto, Portugal
  • Ricardo Silva ULS de Braga, Portugal
  • Daniela Gonçalves CICS, Centro Interdisciplinar em Ciências da Saúde (CICS), ISAVE - Instituto Superior de Saúde, Rua Castelo de Almourol nº 13, 4720-155, Amares, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47782

Palavras-chave:

Fisioterapia, Mulher, Incontinência Urinária; Sono

Resumo

Introdução e Objetivos: A incontinência urinária (IU), classificada pela Sociedade Internacional de Continência em três tipos principais (esforço, urgência e mista), cujo a prevalência varia de 25% a 45% mulheres, associada a um impacto significativo na qualidade de vida, na saúde física e psicológica (Bishop et al., 2025). Apesar de a noctúria e outros sintomas urinários poderem comprometer a qualidade do sono, a evidência sobre esta associação permanece dispersa (Hashim et al., 2019).

Esta scoping review tem como objetivo mapear a evidência disponível sobre o impacto da incontinência urinária na qualidade do sono em mulheres.

Método: A revisão foi conduzida de acordo com as recomendações do PRISMA-ScR e da Joanna Briggs Institute. Os critérios de elegibilidade focaram em mulheres adultas com IU, considerando o impacto na qualidade do sono. Foram incluídos estudos quantitativos e qualitativos publicados em inglês, enquanto foram excluídos aqueles que abordavam populações masculinas ou mistas, ou que não correlacionavam IU ao sono. A pesquisa foi realizada entre fevereiro e março de 2026, utilizando as bases de dados PubMed e ScienceDirect, utilizando a estratégia palavras em inglês: (“woman” OR “female”) AND (“urinary incontinence” OR “urgency urinary incontinence” OR “urine leakage” OR “loss of urine” OR “nocturia”) AND (“sleep” OR “sleep quality” OR “sleep disturbance”). Foram incluídos estudos quantitativos e qualitativos publicados em inglês que investigassem a associação entre IU e qualidade do sono em mulheres adultas. A seleção dos estudos foi realizada por dois revisores independentes, com extração e síntese narrativa dos dados.

Resultados: A pesquisa identificou 27 registos, dos quais cinco estudos cumpriram os critérios de elegibilidade, totalizando 2003 mulheres, das quais 1786 apresentavam IU.

Foram incluídos três estudos transversais, um observacional e um experimental. A qualidade do sono foi avaliada principalmente através do Pittsburgh Sleep Quality Index (PSQI), da Epworth Sleepiness Scale (ESS) e do Patient-Reported Outcomes Measurement Information System (PROMIS). A evidência disponível sugere uma associação consistente entre a presença de IU e pior qualidade do sono. A maior severidade da IU e a maior frequência de episódios urinários noturnos associaram-se a piores indicadores de sono. Os subtipos com componente de urgência (IUU e IUM) apresentaram maior comprometimento da qualidade do sono quando comparados com a IUE. Os estudos incluídos evidenciaram ainda uma associação entre pior qualidade do sono e menor qualidade de vida.

Conclusão: A evidência disponível sugere que a incontinência urinária está associada a pior qualidade do sono em mulheres, particularmente nos casos de maior severidade e nos subtipos com componente de urgência. Apesar do reduzido número de estudos e da sua heterogeneidade metodológica, estes resultados reforçam a importância de integrar a avaliação da qualidade do sono na abordagem clínica da mulher com IU e evidenciam a necessidade de investigação adicional nesta área.

Publicado

2026-09-17

Como Citar

Macedo, C., Neves, D., Castro, A., Fonseca, M., Silva, R., & Gonçalves, D. (2026). Incontinência urinária em mulheres: efeitos na qualidade do sono. RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia – RACS, 8(SupIII). https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47782