Promovendo a Saúde da Vulva - da higiene ao microbioma vulvar
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47835Palavras-chave:
Fisioterapia, Microbiota vulvar, Higiene Íntima, HidrataçãoResumo
Introdução: A vulva desempenha um papel fundamental na proteção do trato genital feminino, constituindo uma importante barreira física e imunológica. A manutenção da integridade da pele vulvar e do equilíbrio do microbioma local é essencial para a saúde genital, uma vez que alterações da microbiota vulvar podem influenciar a microbiota vaginal e vice-versa. Apesar do crescente interesse científico nesta área, as recomendações baseadas na evidência relativas aos cuidados vulvares e à preservação do microbioma permanecem limitadas (Bohbot et al., 2025). A compreensão da influência dos hábitos de higiene íntima na saúde vulvovaginal assume particular relevância no âmbito da prevenção e da educação para a saúde da mulher.
Objetivo: Analisar a evidência científica disponível sobre a relação entre higiene vulvar, integridade da barreira cutânea e manutenção do microbioma vulvar, identificando estratégias promotoras da saúde genital feminina.
Método: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura através da base de dados PubMed, entre janeiro de 2012 e março de 2026. A estratégia de pesquisa incluiu os termos “hygiene”, “washing”, “vulva”, “vulvar microbiota” e “hydration”, combinados através dos operadores booleanos AND e OR. Foram considerados artigos publicados em inglês, português e espanhol que abordassem a higiene vulvar, a microbiota vulvovaginal, a hidratação da pele vulvar e os cuidados preventivos de saúde genital. Após análise dos títulos, resumos e textos completos, foram incluídos 20 artigos para análise qualitativa.
Resultados: Os estudos analisados demonstram que a integridade da barreira cutânea vulvar desempenha um papel determinante na proteção contra agentes irritantes, infeciosos e inflamatórios. Embora a composição da microbiota vaginal esteja amplamente caracterizada, a microbiota vulvar apresenta elevada variabilidade interindividual, não sendo habitualmente dominada por uma única espécie microbiana. Verificou-se ainda que fatores como obesidade, hábitos de higiene e exposição a produtos irritantes podem influenciar a composição microbiana local. A evidência sugere que práticas inadequadas, nomeadamente o banho vaginal, podem comprometer o equilíbrio microbiológico e aumentar o risco de sintomas vulvovaginais. Os estudos recomendam a lavagem suave da vulva com água corrente e produtos de pH adequado, seguida de secagem sem fricção (Sociedade Portuguesa de Ginecologia, 2012). A hidratação vulvar surge igualmente como um componente relevante dos cuidados íntimos, contribuindo para a manutenção da barreira cutânea e para a proteção contra agressões externas (Graziottin, 2023).
Conclusão: A adoção de cuidados adequados de higiene e hidratação vulvar constitui uma estratégia importante para a preservação da saúde genital feminina. A promoção de comportamentos preventivos e de práticas de autocuidado baseadas na evidência poderá contribuir para a manutenção do microbioma vulvar, da integridade cutânea e da saúde pélvica. Os profissionais de saúde, incluindo os fisioterapeutas na área da saúde da mulher, desempenham um papel relevante na educação para a saúde e na promoção destes cuidados preventivos.
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