Polimedicação e Perfil Farmacoterapêutico em Idosos de um Centro de Dia de Barcelos: Resultados de um Estudo Piloto
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47928Palavras-chave:
Polimedicação, Idosos, Perfil farmacoterapêutico, Centro de Dia; Medicamentos; EnvelhecimentoResumo
Introdução: O envelhecimento constitui um dos principais desafios de saúde pública, político e económico da atualidade, estando associado ao aumento da prevalência de doenças crónicas e à consequente utilização de múltiplos medicamentos. A polimedicação é frequente na população idosa e associa-se a um maior risco de interações medicamentosas, reações adversas, diminuição da adesão terapêutica, hospitalizações e mortalidade (Maher et al. (2014), Rankin et al. (2018) & WHO (2019)).
Objetivo: Caracterizar a prevalência da polimedicação e descrever o perfil farmacoterapêutico dos utentes de um Centro de Dia de uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) do concelho de Barcelos.
Metodologia: Realizou-se um estudo observacional, descritivo e transversal numa amostra de 20 utentes de um Centro de Dia. Os dados foram recolhidos através da consulta dos processos clínicos, incluindo variáveis sociodemográficas, número de medicamentos prescritos e respetivos grupos farmacológicos. A polimedicação foi definida como a utilização concomitante de cinco ou mais medicamentos. A análise dos dados foi efetuada através de estatística descritiva.
Resultados: Foram incluídos 20 utentes, dos quais 11 eram do sexo feminino (55,0%) e 9 do sexo masculino (45,0%). A prevalência de polimedicação foi de 85,0% (n=17), sendo observada polimedicação excessiva (≥10 medicamentos) em 45,0% dos participantes (n=9). Os grupos farmacológicos mais frequentemente utilizados foram os medicamentos cardiovasculares (95,0%; n=19), os medicamentos do sistema nervoso central (80,0%; n=16), os inibidores da bomba de protões (45,0%; n=9), os medicamentos utilizados no tratamento da demência (40,0%; n=8) e os antidiabéticos (35,0%; n=7). Os princípios ativos mais prescritos foram a atorvastatina (45,0%; n=9), os inibidores da bomba de protões (45,0%; n=9), a trazodona (30,0%; n=6), os antagonistas dos recetores da angiotensina II (30,0%; n=6) e a furosemida (25,0%; n=5). Foram prescritos um total de 158 medicamentos, correspondendo a uma média de 7,9 ± 3,1 medicamentos por utente.
Conclusão: Observou-se uma elevada prevalência de polimedicação neste projeto piloto, reforçando o carácter exploratório dos resultados. Verificou-se ainda uma utilização predominante de medicamentos cardiovasculares, psicotrópicos e fármacos dirigidos a patologias neurodegenerativas. Estes resultados reforçam a importância da monitorização farmacoterapêutica e da revisão periódica da medicação em contexto comunitário, de forma a promover a utilização segura, eficaz e adequada dos medicamentos na população idosa.
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 RevSALUS - Revista Científica Internacional da Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia – RACS

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.







