Análise do equilíbrio e da postura em atletas de futsal Surdos: um estudo de série de casos
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.48074Palavras-chave:
Surdez neurossensorial; Equilíbrio; Posturografia; Sistema vestibular; FutsalResumo
Introdução: A surdez neurossensorial pode estar associada a alterações do sistema vestibular, comprometendo o controlo postural. No futsal, modalidade caracterizada por rápidas mudanças de direção e elevada exigência de estabilidade corporal, torna-se relevante compreender as estratégias sensoriais envolvidas na manutenção da estabilidade postural em atletas Surdos.
Objetivos: Caracterizar o perfil posturográfico de atletas de futsal com surdez neurossensorial e identificar estratégias sensoriais envolvidas na manutenção da estabilidade postural.
Metodologia: Realizou-se um estudo observacional descritivo, do tipo série de casos, envolvendo 11 atletas de futsal com surdez neurossensorial (idade média de 24,55±3,59 anos), maioritariamente do sexo masculino, pertencentes à Associação de Surdos de Guimarães e Vale do Ave. Foram incluídos atletas com diagnóstico de surdez neurossensorial e excluídos participantes com lesões musculoesqueléticas recentes ou alterações neurológicas/vestibulares agudas. O equilíbrio foi avaliado através da plataforma de posturografia computorizada PhysioSensing®, utilizando os protocolos Modified Clinical Test of Sensory Interaction on Balance (mCTSIB), Limits of Stability (LOS) e Unilateral Stance (US). Atendendo ao reduzido tamanho amostral, realizou-se apenas análise descritiva, sendo apresentados média, desvio-padrão e intervalos de confiança a 95%.
Resultados: Observou-se aumento da velocidade média de oscilação no apoio unipodal com o pé esquerdo de 1,52±0,61°/s (IC95%: 1,11-1,93) para 4,43±1,59°/s (IC95%: 3,36-5,50) após privação visual. A área de elipse no mCTSIB aumentou de 7,12±5,46 mm² para 19,51±11,96 mm². Descritivamente, os utilizadores de aparelhos auditivos apresentaram, menor área de elipse na condição 3 do mCTSIB (7,96 vs 23,84 mm²), enquanto os utilizadores de implante coclear evidenciaram menor controlo direcional posterior (37,85% vs 64,47%). Estas comparações devem ser interpretadas com cautela devido à reduzida dimensão dos subgrupos.
Conclusões: Os resultados sugerem maior dependência da informação visual na manutenção da estabilidade postural nesta amostra de atletas com surdez neurossensorial. Apesar das limitações decorrentes do reduzido tamanho amostral, o estudo fornece evidência preliminar sobre estratégias sensoriais de controlo postural, sustentando futuras investigações com amostras mais alargadas e grupos de controlo.
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