Relação entre a presbiacusia e declínio cognitivo em idosos
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.48107Palavras-chave:
Hipoacusia, Comprometimento cognitivo, Idosos, Comunitário, CorrelaçãoResumo
Introdução: No âmbito de um projeto comunitário de avaliação multidimensional do idoso, investigou-se a relação entre a presbiacusia e a função cognitiva. A perda auditiva associada à idade constitui um elevado fator de risco para a demência, podendo aumentar a probabilidade de desenvolvimento da doença em duas a cinco vezes, consoante a sua gravidade (Azeem et al., 2023).
Objetivos: Traçar o perfil auditivo de idosos institucionalizados ou frequentadores de centros de dia e cruzar estes dados com o seu desempenho cognitivo.
Metodologia: Estudo observacional analítico, realizado entre outubro de 2025 e janeiro de 2026. Como critérios de inclusão, foram selecionados indivíduos com idade anos e que tivessem o consentimento informado assinado, como critérios de exclusão, indivíduos com demência diagnosticada. A avaliação audiológica integrou anamnese, otoscopia, acumetria (testes de Rinne e Weber a 128 Hz, 256 Hz e 512 Hz) e audiometria tonal de rastreio (250 Hz a 4 kHz), sendo a perda classificada segundo o BIAP (1997), realizados em salas disponibilizadas pelas instituições. Os perfis foram posteriormente correlacionados com as avaliações cognitivas psicológicas, através do instrumento M-ACE (Grasina et al., 2024).
Resultados: A amostra distribuiu-se em audição normal (n=5), hipoacusia ligeira (n = 38) e moderada (n=44), não se registando perdas severas ou profundas, totalizando, assim uma amostra de 87 pessoas. A correlação de Spearman não revelou correlação estatística (p=0,887). Contudo, a comparação de grupos pelo teste de Kruskal-Wallis demonstrou uma tendência clínica marginalmente significativa (p=0,076), evidenciando que a presença de hipoacusia se associa a um pior desempenho cognitivo.
Discussão: A ausência de significância estatística convencional () justifica-se pelo reduzido número do grupo de audição normal, comprometendo o poder do teste, e pela exclusão metodológica de indivíduos com demência prévia, limitando a análise a uma janela pré-demencial. Ainda assim, a tendência observada é corroborada pela literatura: a privação sensorial precoce gera isolamento, reduzindo a estimulação cognitiva diária e acelerando o declínio.
Conclusão: A interligação entre perda auditiva e declínio cognitivo manifesta-se precocemente nas fases iniciais e intermédias da hipoacusia. Reforça-se a urgência de rastreios auditivo-cognitivos conjuntos para atenuar barreiras comunicacionais e preservar a funcionalidade na terceira idade.
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