Forense de Campo de Batalha: Microbiologia Forense e Defesa contra Ameaças Biológicas Emergentes
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupII.46823Keywords:
Defesa Biológica, Guerra Híbrida; Microbiologia ForenseAbstract
Introdução: A guerra contemporânea caracteriza-se pela integração de múltiplos domínios (convencionais, cibernéticos, intelligence e biológicos) configurando um cenário híbrido de ameaça. Neste contexto, a microbiologia forense (MF) assume um papel de destaque no campo de batalha, uma vez que permite a identificação, caracterização e atribuição da origem de agentes biológicos com potencial bélico ou terrorista. A aplicação deste conhecimento no âmbito da forense de campo de batalha representa um avanço estratégico na proteção das forças armadas e da segurança nacional1-3.
Objetivo: Analisar as potencialidades da MF em contextos militares e de defesa, destacando a relevância para a deteção rápida, atribuição e resposta operacional a ameaças biológicas acidentais ou intencionais.
Material e Métodos: Revisão da sistemática da literatura científica (Metodologia PRISMA), recorrendo a bases de dados internacionais especializadas em biotecnologia, defesa biológica e ciências forenses, publicados entre 2020 e 2025. Foram incluídos estudos que abordam tecnologias de sequenciação genómica (Next-Generation Sequencing, NGS), metagenómica e bioinformática aplicadas a amostras ambientais e biológicas recolhidas em cenários de conflito.
Resultados: As metodologias baseadas em NGS e metagenómica demonstram uma elevada capacidade de identificação de agentes patogénicos em amostras complexas, mesmo em concentrações residuais. Adicionalmente, estas abordagens permitem distinguir entre eventos naturais de libertações intencionais, apoiar a georreferenciação forense e reconstruir cadeias de transmissão microbiana em tempo quase real.
Discussão: A integração de plataformas portáteis de análise genómica no teatro de operações, articuladas com redes de dados seguras, potencia uma resposta mais célere e eficaz a incidentes biológicos. Contudo, persistem desafios éticos e jurídicos relacionados com a gestão de dados sensíveis e a interoperabilidade internacional dos sistemas de biossegurança.
Conclusões: A MF emerge como componente importante da ciência forense de campo de batalha, unindo ciência, defesa e justiça. A sua consolidação requer o desenvolvimento de protocolos normalizados, formação especializada e cooperação internacional, de modo a transformar o conhecimento científico em instrumento de soberania e proteção coletiva.
Published
How to Cite
Issue
Section
License
Copyright (c) 2026 RevSALUS - International Scientific Journal of the Academic Network of Health Sciences of Lusophone

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.







