Agroquímicos e suicídio

uma emergência epidemiológica?

Autores

  • Ana Lúcia Lima Secretaria Municipal de Saúde, Arapiraca, Alagoas, Brasil
  • Madalena Cunha Politécnico de Viseu, Escola Superior de Saúde, Viseu, Portugal; UICISA: E, ESEnfC, Coimbra; SIGMA – Phi Xi Chapter, ESEnfC, Coimbra, Portugal; CIEC- UM, Braga, Portugal https://orcid.org/0000-0003-0710-9220

DOI:

https://doi.org/10.48492/servir0201.25678

Palavras-chave:

agricultura, agroquímicos, depressão, suicídio

Resumo

Introdução: O suicídio é um comportamento autodestrutivo considerado como a execução de atividades suicidas que levam à própria morte, constituindo um grave problema de saúde pública. Os aspetos sociais, económicos, culturais e a depressão são alguns dos fatores predisponentes ao comportamentosuicida. A crescente utilização de agrotóxicos na agricultura constitui um precursor da ocorrência do suicídio por envenenamento.

Objetivo: Analisar a relação entre a utilização de agroquímicos e a ocorrência de suicídio.

Métodos: Estudo exploratório realizado numa amostra constituída por 53 óbitos investigados por suicídio na população de Arapiraca, no período de 2007-2013,que registou uma média de 7.6 óbitos/ano (75,5% do sexo masculino e 24,5% do sexo feminino). A colheita de dados foi suportada no Registo de Óbitos porsuicídio - SIM - códigos de X60 a X84-Capítulo XX - CID-10, da base DATASUS/MS e na aplicação de um questionário aos 53 familiares das vítimas de suicídio.

Resultados: Os suicidas tinham idades compreendidas entre 14 e 89 anos, 32.1% apresentavam quadro depressivo, 35.8% trabalhavam com agroquímicos e 30.2% utilizavam-nos na agricultura. Apurou-se que 32,1% dos suicidas apresentavam quadro depressivo (Fischer p=0,001), haviam realizado outras tentativasde suicídio e utilizaram pesticidas para consumar o ato (30,2%).

Conclusão: Emerge a necessidade de desenvolver novos estudos sobre esta problemática, principalmente com o intuito de apurar a existência ou não derelação entre a exposição aos agrotóxicos e o suicídio, uma vez que, a ocupação da grande maioria dos suicidas no período em estudo, foi a agricultura, na qual se verifica o uso indiscriminado destes químicos. Os resultados sustentam que os aspetos profissionais/sociais e a depressão devem ser despistados de formaa promover a saúde mental positiva e a prevenir a ocorrência de suicídio.

Referências

Agroquímicos. (2015). Biblioteca Virtual em Saúde – DeCS. Acedido em Dezembro,02, 2015 em http://decs.bvs.br/cgi-bin/wxis1660.exe/decsserver/

Ahmed, S., Hussain, M., Virani, S., Dar, S., Sreeram, V., Ahmed, R., Gill, M. (2015). Suicide: A complex phenomenon, risk assessment, a dilemma of emergency. Journal of Addiction Research & Therapy, 6(3), 1-6. http://www.omicsonline.org/open-access/suicide-a-complex-phenomenon-risk-assessment-a-dilemma-of-emergency-room-physicians-2155-6105-1000245.pdf

Bertolote, J., Mello-Santos, C., & Botega, N. (2010). Deteção do risco de suicídio nos serviços de emergência psiquiátrica. Revista Brasileira de Psiquiatria, 32(Suppl. 2), S87-S95. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462010000600005&lng=en&tlng=pt

Botega, N. J. (2014). Suicidal behavior: Epidemiology. Psicologia USP, 25(3), 231-236. doi:10.1590/0103-6564D20140004

Conselho Internacional de Enfermeiros. (2011). CIPE: Versão 2: Classificação Internacional para a prática de enfermagem. Lisboa: Ordem dos Enfermeiros. http://associacaoamigosdagrandeidade.com/wp-content/uploads/filebase/guias-manuais/ORDEM%20ENFERMEIROS%20cipe.pdf

Machado, D., & Santos, D. (2015). Suicídio no Brasil, de 2000 a 2012. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 64(1), 45-54. doi:10.1590/0047-2085000000056

Matos, A. (2013). Análise das intoxicações exógenas por agrotóxicos no Brasil, entre 2007 e 2012 (Trabalho de conclusão de Curso, Universidade de Brasília). http://bdm.unb.br/bitstream/10483/6913/1/2013_AntonioDaSilvaMatos.pdf

Neto, M. G. (2014). Intoxicação por agrotóxicos e surgimento de depressão: Um estudo de caso. http://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/21/47_-_IntoxicaYYo_por_agrotYxicos_e_surgimento_de_depressYo_um_estudo_de_caso.pdf

Organização Mundial de Saúde. (2006). Prevenção do suicídio: Um recurso para conselheiros. Genebra: Suíça. Organização Mundial de Saúde. (2014). Prevenção do suicídio: Um imperativo global. Genebra: Suíça.

Rodrigues, R. P., Sá, M. C., & Moura, D. (2011). Internamentos por intoxicação com pesticidas em Portugal. Arquivos de Medicina, 25(5-6), 169-173. http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0871-34132011000500001&lng=pt&tlng=pt

Santos, J. A. T., Seleghim, M. R., Nerilo, S. B., Fernandez, L. S., & Oliveira, M. L. F. (2015). Inseticidas organofosforados e intoxicação humana: Uma revisão da produção científica sobre o tema. SaBios: Revista de Saúde e Biologia, 10(2), 54-65

Santos, S., Legay, L., Aguiar, F., Lovosi, G., Abelha, L., & Oliveira, S. (2014). Tentativas e suicídios por intoxicação exógena no Rio de Janeiro, Brasil: Análise das informações através do linkage probabilístico. Cadernos de Saúde Pública, 30(5), 1057-1066.

Silveira, R. (2010). Perfil epidemiológico do suicídio em um município do interior mineiro. http://www.webartigos.com/artigos/perfil-epidemiologico-do-suicidio-em-um-municipio-do-interior-mineiro/31609/

Vidal, C., Gontijo, E., & Lima, L. (2013). Tentativas de suicídio: Fatores prognósticos e estimativa do excesso de mortalidade. Cadernos de Saúde Coletiva, 29(1), 175-187

Vidal, C., Gomes, C., Mariano, C., Leite, M., Silva, R., & Lasmar, S. (2014). Perfil epidemiológico do suicídio na microrregião de Barbacena, Minas Gerais, no período de 1997 a 2012. Cadernos de Saúde Coletiva, 22(2), 158-64

Downloads

Publicado

2021-12-30

Como Citar

Lima, A. L., & Cunha, M. (2021). Agroquímicos e suicídio: uma emergência epidemiológica?. Servir, 2(01), 75–81. https://doi.org/10.48492/servir0201.25678

Edição

Secção

Artigos