O ruído no contexto dos cuidados intensivos
contributo para a segurança e qualidade dos cuidados - estudo descritivo
DOI:
https://doi.org/10.48492/servir0202.25906Palavras-chave:
Unidade de cuidados intensivos, Enfermagem, RuídoResumo
Introdução: O ruído excessivo em hospitais afeta negativamente o sono e a recuperação dos doentes, causa stress e fadiga na equipa e dificulta a comunicação. As diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 1999 para ruído comunitário recomenda um máximo de 35 dBA, durante a noite e 40 dBA durante o dia para ambientes hospitalares.
O aumento da complexidade tecnológica, informação e consequente aumento da complexidade dos cuidados de saúde tornou imperativo trabalhar a cultura de segurança do doente por forma implementar ações preventivas e melhorar a qualidade dos cuidados prestados.
Objetivo: O objetivo geral é avaliar o nível de ruído, a que estão expostos enfermeiros de uma UCI, durante aproximadamente 48 horas. Numa primeira fase avaliamos o nível de ruído com um sonómetro e numa outra, caraterizamos a perceção individual, através da aplicação de um questionário.
Métodos: Este é um estudo quantitativo, com uma abordagem observacional descritiva, transversal e método de amostragem não probabilística.
Resultados: Os valores observados no que diz respeito à intensidade média diária de ruído, avaliada neste estudo, foram de aproximadamente 55 dBA para os períodos diurnos e 50 dBA para os períodos noturnos, com valores máximos de pico de 83,7 dBA, valores superiores aos recomendados pelas organizações internacionais. Por outro lado, os profissionais de saúde têm perceção da presença de ruído nos seus locais de trabalho.
Conclusão: Posto os resultados obtidos, embora as diretrizes da OMS e da EPA dos EUA sejam provavelmente inalcançáveis em qualquer área de cuidados intensivos de um hospital, consideramos que a redução de alguns desses níveis elevados deve ser possível, após identificar e localizar as fontes primárias de ruído e definir medidas de prevenção e controlo, de maneira a minimizar ou eliminar a emissão de ruído.
Downloads
Referências
Administração Central dos Serviços de Saúde (2013). Recomendações Técnicas para Instalações de Unidade de Cuidados Intensivos. Lisboa. Acedido em 2 de janeiro de 2022. Retirado de http://www2.acss.min.saude. pt/Portals/0/RT%20 09%202013%20DOC%20COMPLETO.PDF.
Agência Europeia do Ambiente. (2021). Consultado em https://www.eea.europa.eu/pt/pressroom/infografia/poluicao-sonora-na-europa/image/image_view_fullscreen
Akansel, N., & Kaymakçi, Ş. (2008). Effects of intensive care unit noise on patients: A study on coronary artery bypass graft surgery patients. Journal of Clinical Nursing, 17(12), 1581-1590. doi:10.1111/j.1365-2702.2007.02144.x
Alidosti, M., Heydarabadi, A. B., Baboli, Z., Nazarbig, H., & Mobasheri, M. (2016). Association between job burnout and noise pollution among nurses in Behbahan city, Iran. Journal of Fundamentals of Mental Health, 18(2), 103-108. doi:10.22038/JFMH.2016.6676
Andrade, E. L., Silva, D. C. C., Lima, E. A., Oliveira, R. A., Zannin, P. H. T., & Martins, A. C. G. (2021). Environmental noise in hospitals: a systematic review. Environmental science and pollution research international, 28(16), 19629–19642. doi:10.1007/s11356-021-13211-2
Bennett, C., Dudaryk, R., Crenshaw, N., Edworthy, J., & McNeer, R. (2019). Recommendation of New Medical Alarms Based on Audibility, Identifiability, and Detectability in a Randomized, Simulation-Based Study. Critical care medicine, 47(8), 1050–1057. doi: 10.1097/CCM.0000000000003802
Berglund, B., Lindvall, T. & Dietrich (1999). Guidelines for community noise. In Protection of the human environment. World Health Organization. https://apps.who.int/iris/handle/10665/66217
Çakir, M., Aslan, F. E., & Alhan, H. C. (2016). Determination of Factors that Cause Noise in Intensive Care Unit Environment. Turkiye Klinikleri Journal of Nursing, 8(3), 197-203. doi:10.5336/nurses.2015-44340
Carvalho, C. (2020). Segurança do doente crítico: Notificação de eventos adversos. Instituto Politécnico de Portalegre. Disssertação de mestrado. Consultado em: http://hdl.handle.net/10400.26/33594
Crawford, K. J., Barnes, L. A., Peters, T. M., Falk, J., & Gehlbach, B. K. (2018). Identifying determinants of noise in a medical intensive care unit. Journal of Occupational and Environmental Hygiene, 15(12), 810-817. doi:10.1080/15 459624.2018.1515491
Cunha, M., Silva, N. (2015). Hospital noise and patients’ wellbeing. Procedia - Social and Behavioral Sciences, 171, 246-251.
Darbyshire, J. L., Müller‐Trapet, M., Cheer, J., Fazi, F. M., & Young, J. D. (2019). Mapping sources of noise in an intensive care unit. Anaesthesia, 74(8), 1018-1025. doi:10.1111/anae.14690
Fortin, M. F., Côté, J., & Filion, F. (2009). Fundamentos e etapas do processo de investigação. Loures: Lusodidacta.
Goeren, D., John, S., Meskill, K., Iacono, L., Wahl, S., & Scanlon, K. (2018). Quiet Time: A Noise Reduction Initiative in a Neurosurgical Intensive Care Unit. Critical Care Nurse, 38(4), 38-44. doi:10.4037/ccn2018219
Horsten, S., Reinke, L., Absalom, A. R., & Tulleken, J. E. (2018). Systematic review of the effects of intensive-care-unit noise on sleep of healthy subjects and the critically ill. British journal of anaesthesia, 120(3), 443-452. doi: 10.1016/j. bja.2017.09.006
Jung, S., Kim, J., Lee, J., Rhee, C., Na, S., & Yoon, J. (2020). Assessment of Noise Exposure and Its Characteristics in the Intensive Care Unit of a Tertiary Hospital. International Journal of Environmental Research and Public Health, 17(13). doi:10.3390/ijerph17134670
Kolcaba K. (2001). Evolução da teoria de conforto de médio alcance para pesquisa de resultados. Enfermeira Outlook.49(2):86-92.
Kolcaba, K., Tilton, C. & Drouin, C. (2006). Comfort Theory, A unifying framework to enhance the practice environment. The Journal of Nursing Administration, 36 (11), 538-544.
Mcgough, N. N., Keane, T., Uppal, A., Dumlao, M., Rutherford, W., Kellogg, K., Ward. E., Kendal, C., & Fields, W. (2018). Noise Reduction in Progressive Care Units. Journal of Nursing Care Quality, 33(2), 166-172. doi:10.1097/ ncq.0000000000000275
Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social (2006). Decreto-Lei n.º 182/2006, de 6 de setembro. Diário da República N.º 172, Série I (6 de setembro de 2006), p.p. 6584 – 6593.
Nightingale, F. (2005). Notas Sobre Enfermagem: O que é e o que não é. Lisboa: Lusociência - Edições Técnicas e Científicas, Lda.
Ordem dos enfermeiros (2019). Regulamento n.º 140/2019. Diário da República, n.º 26, pp.4744-4750.Obtido em: https://www.ordemenfermeiros.pt/media/10778/0474404750.pdf World Health Organization. (2019) Medication Safety in High-risk Situations Technical Report. Genebra. Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/ handle/10665/325131/WHO-UHC-SDS-2019.10-eng.pdf?ua=1
Pereira, M. R. C. (2017). Gestão do ambiente no cuidado à pessoa em situação Crítica: uma intervenção de enfermagem especializada. Escola Superior de Enfermagem de Lisboa (Relatório de Estágio). Lisboa. Consultado em http://hdl. handle.net/10400.26/22154
Pires, S. A. R. (2016). Exposição Ocupacional ao Ruído em Unidades de Cuidados Intensivos numa Unidade Hospitalar da Grande Lisboa (Dissertação de mestrado). Universidade de Lisboa. Richardson, A., Thompson, A., Coghill, E., Chambers, L. & Turnock C. (2009). Development and implementation of a noise reduction intervention programme: a pre- and postaudit of three hospital wards. 18(23), pp.3316–3324. doi:10.1111/j.1365-2702.2009.02897.
Santos, J. & Miguel, A. S. (2012). Níveis Sonoros em Ambiente Hospitalar – O Caso das Unidades de Cuidados Intensivos. Sociedade Portuguesa de Segurança e Higiene Ocupacionais consultado em: http://hdl.handle.net/10400.22/7504
Silva, N. M. J. (2014). Ruído hospitalar: implicações no bem-estar do doente (Dissertação de mestrado). Instituto Politécnico de Viseu.
Terzi, B., Azizoğlu, F., Polat, Ş, Kaya, N., & Işsever, H. (2019). The effects of noise levels on nurses in intensive care units. Nursing in Critical Care, 24(5), 299-305. doi:10.1111/nicc.12414
Vilelas, J. (2020). Investigação - O Processo de Construção do Conhecimento (3rd ed.). Edições Sílabo.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
No intuito de promover a livre circulação do conhecimento, a Servir funciona em regime de acesso livre (open access). Todo o seu conteúdo está disponível e protegido sob a licença Creative Commons (CC BY 4.0).
A revista permite o auto-arquivo em repositórios institucionais de todas as versões, podendo ficar imediatamente disponíveis.