Ciclos de protesto e democracia: uma comparação entre Portugal e Espanha, 2000-2019
DOI:
https://doi.org/10.7458/SPP20219724909Palavras-chave:
protesto, democracia, Grande Recessão, Portugal, EspanhaResumo
Neste artigo, são descritos e analisados os ciclos de protesto em Portugal e Espanha no início do século XXI. Considerando que a possibilidade de exercer o direito à dissensão na esfera pública constitui não apenas um dos elementos caracterizadores da democracia, mas igualmente um fator do seu fortalecimento, esta análise compara os ciclos de protesto nos dois países da Península Ibérica, atentando à sua magnitude e complexidade organizacional, e aos seus aspetos culturais, em particular os repertórios de ação coletiva. Este estudo permite identificar diferentes tendências do protesto nos dois países, não obstante a Grande Recessão constituir, em ambos os casos, um marco inquestionável em termos da dimensão do protesto. Permite igualmente aferir da constante importância de atores de protesto tradicionais em Portugal, como os sindicatos, associada à existência de uma cultura de protesto mais democrática. Em contrapartida, em Espanha, a arena do protesto é mais variada e inovadora, mas também mais polarizada e conflitual.
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