Baleias e monstros, iconografia e repetições na história da história natural: representações visuais de animais marinhos na época medieval e renascentista
DOI:
https://doi.org/10.57759/aham2010.37292Palavras-chave:
Mamíferos marinhos, História da ciência, Naturalismo atlântico, Naturalismo europeu, IconografiaResumo
Apesar de viverem num meio que nos é inóspito, os mamíferos marinhos, sempre suscitaram interesse e interrogações, surgindo repetidamente descrições da sua ocorrência.Para as épocas medieval e renascentista, a análise da iconografia permite a reconstrução do ser real por detrás dum relato e a percepção de detalhes que se perdem nos textos. Para além de ossos e peles, era particularmente difícil trazer provas da existência de alguns mamíferos marinhos desde o além-mar até à Europa. Nos gabinetes de curiosidades e nas boticas não abundam exemplares deste grupo animal e o gesto simbólico de trazer e guardar a natureza era muitas vezes substituído pelas gravuras, pinturas e desenhos dos mesmos. Independentemente da época, e da técnica utilizada, as ilustrações de carácter zoológico ou naturalista remetem para uma relação complexa com os textos, possuindo uma intenção explicativa e tendo subjacente um cunho científico. Por vezes, deixam de ser complementos passando a ser substitutos ou a peça fundamental da informação a ser transmitida. Neste caso, a representação visual, bem como a cópia repetitiva de imagens, tornam-se o veículo de transmissão de conhecimento natural ainda que o uso de imagens repetidas sobre mamíferos marinhos não permitisse acompanhar o conhecimento crescente que ia sendo acumulado. Mas, se é certo que as línguas faladas e escritas mudam entre países e culturas, as representações visuais mantêm-se constantes e constituem uma forma extremamente eficaz de linguagem universal para a transmissão do saber científico e natural.
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