As Índias do conhecimento, ou a Geografia imaginária da conquista do ouro
DOI:
https://doi.org/10.57759/aham2003.37813Resumo
Este trabalho analisa o relato apresentado pelo médico José Rodrigues Abreu, sobre a região das Minas, no começo do século XVIII. José Rodrigues Abreu acompanhou o Governador Antônio de Albuquerque em sua expedição às Minas de São Paulo, para pacificação da Guerra dos Emboabas. De volta, escreveu Relação das Minas Brasílicas, manuscrito perdido, e até hoje desconhecido. No entanto, em seu livro de Medicina, Historiologia Médica, publicado entre 1733 e 1739, incorporou parte de suas anotações, no verbete sobre o ouro. Ao tentar ler o livro da natureza a partir de uma visão empírica e racional, ele deu preponderância ao ver do que ao ouvir dizer. No entanto, na descrição sobre Minas Gerais, seu espírito prático e racional foi superado pelo maravilhoso, porque na sua imaginação a região correspondia ao idílico e paradisíaco. A visão que emerge de suas observações constitui uma compreensão ao mesmo tempo racional, mágica e mitológica da geografia da região. Este processo de desconexão com o real refletiu-se na construção de uma cartografia imaginária, na qual as Minas se tornaram o centro da América e o Brasil foi representado por uma ilha. Esta imagem, já em desuso na época, estava sendo substituída por uma imagem mais realista da conformação do seu território.
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Direitos de Autor (c) 2003 Júnia Ferreira Furtado

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