Global Currents, Local Complexity: Indian Ocean Trade and Small-Scale Societies around Kilimanjaro
DOI:
https://doi.org/10.57759/aham2023.46382Palavras-chave:
complexidade social, arqueologia histórica, pré-colonial, Chagga, comércio, mercado, ZanzibarResumo
A África Oriental e Central pré-colonial caracterizava-se, em grande medida, pela predominância de sociedades de pequena escala situadas fora da influência directa de grandes sistemas estatais, como os Luba-Lunda, Marave, Lozi, Kongo, a cultura do Zimbabwe e as cidades-estado suaílis. Estas comunidades foram frequentemente consideradas desprovidas de sofisticação sociopolítica. Contudo, a evidência arqueológica relativa aos Chagga, estabelecidos nas encostas inferiores do monte Kilimanjaro, contraria esta perspectiva. Os Chagga construíram complexas estruturas defensivas, desenvolveram uma gestão cuidada dos recursos hídricos de montanha e mantiveram redes comerciais tanto locais como regionais, revelando, assim, elevados níveis de organização social.
Este estudo adopta uma abordagem de arqueologia histórica para analisar de que modo tais práticas se articularam com a expansão das redes comerciais do oceano Índico entre os séculos XVII e XIX d.C. Ao examinar as ligações entre as sociedades do Kilimanjaro e o comércio costeiro, demonstra-se que as comunidades de pequena escala contribuíram activamente para a intensificação da complexidade sociopolítica e económica no Nordeste da Tanzânia, em período anterior à intervenção colonial.
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