Processo Coletivo Estrutural: perspectivas de aplicabilidade no Brasil e no Continente Europeu

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.34625/issn.2183-2705(39.2)2026.ic-4

Palabras clave:

Processo coletivo, Processo estrutural, Direitos transindividuais, Brasil, Europa

Resumen

O artigo investiga, sob uma perspectiva jurídico-dogmática, os contornos normativos, doutrinários e jurisprudenciais do processo coletivo estrutural, com ênfase em sua aplicabilidade no ordenamento jurídico brasileiro e em países europeus. O objetivo é de analisar as bases jurídicas e a evolução do processo coletivo, bem como o desenvolvimento do processo estrutural, reforçando que, este último, refere-se ao instrumento jurídico apto à resolução de litígios policêntricos e de alta complexidade. A partir da revisão bibliográfica e da análise normativa, documental e jurisprudencial, identifica-se a possibilidade da utilização, seja do processo coletivo ou do processo estrutural, nos sistemas jurídicos examinados, propondo-se uma reflexão crítica sobre os contornos e limites de sua incidência, no âmbito jurisdicional. Como resultado, verificou-se que o ordenamento jurídico brasileiro está à frente, quanto a regulamentação do processo coletivo e dos mecanismos de defesa de direitos transindividuais (coletivos e difusos), ao passo que nos países europeus, em regra, o sistema de tutela coletiva ainda se encontra circunscrito a áreas específicas, como a da proteção ao consumidor. No que tange ao processo estrutural, no ordenamento jurídico brasileiro, há movimentos legislativos se dedicando ao tema, conforme Projeto de Lei nº 03/2025, já apresentado ao Senado Federal. Por outro lado, os países europeus ainda carecem de regulamentação normativa mais específica, porém, de recentes discussões resultou a Diretiva EU nº 2020/1828, que trata das ações coletivas e, embora não se refira diretamente ao processo estrutural, abre a possibilidade para ações coletivas de compensação na esfera do consumo, aptas a lidar com problemas estruturais envolvendo os consumidores no caso danos advindos de práticas ilegais ou abusivas.

Biografía del autor/a

Tereza Cristina Sorice Baracho THIBAU, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Doutorado e Mestrado em Direito pela FDUFMG. Bacharelado em Direito e em Pedagogia. Professora Visitante Sênior (Capes/Print -1ºS. 2024) na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Professora Associada IV da FDUFMG da Graduação e do Corpo Permanente de Docentes do Programa de Pós-Graduação. Membro do IDPro. Instrutora, Conciliadora e Mediadora Judicial Voluntária no CEJUSC/BH. Diretora- Editora da Revista da FDUFMG. Pesquisadora no Programa Universitário de Apoio às Relações de Trabalho e à Administração da Justiça - PRUNART-UFMG. Líder do Grupo de Pesquisa CNPq: "Direito e Processo Coletivo: Análise Sistêmica e Estrutural". E-mail: tthibau@gmail.com. Av. João Pinheiro, 100 - Centro, Belo Horizonte – MG/Brasil, 30130-180. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2883-2584.

Lílian Maciel SANTOS, Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais - TJMG

Doutoranda em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. Mestre em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. Especialista em Jurisdição Inovadora pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam). Especialista em Processo Civil pela Universidade Gama Filho. Especialista em Gestão no Poder Judiciário pela Universidade de Brasília (UnB). Desembargadora no Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG). Professora nos cursos de graduação da Faculdade Milton Campos e do IBMEC. E-mail: lilian@tjmg.jus.br. Av. Afonso Pena, 4001 - Serra, Belo Horizonte – MG/Brasil, 30130-911. ORCID: https://orcid.org/0009-0009-5580-4667.

Vitor Luís de ALMEIDA, Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes

Pós-doutorando em Direito na Universidade Federal de Minas Gerais – PPGD/UFMG. Doutor em Ciências Jurídico-Processuais pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Mestre em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Especialista em Direito Público Municipal e graduado em Direito pela Universidade Estadual de Montes Claros/UNIMONTES. Juiz de Direito do Estado de Minas Gerais. Professor da UNIMONTES. E-mail: vitor.almeida@tjmg.jus.br. Av. Dr. Adão Múcio de Resende Prates, 10- Ibituruna, Montes Claros– MG/Brasil, 39408010. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-9048-0261.

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Publicado

2026-02-13

Cómo citar

THIBAU, T. C. S. B., SANTOS, L. M., & ALMEIDA, V. L. de. (2026). Processo Coletivo Estrutural: perspectivas de aplicabilidade no Brasil e no Continente Europeu. Revista Jurídica Portucalense , 2(39), 64–92. https://doi.org/10.34625/issn.2183-2705(39.2)2026.ic-4