Uso de rituximab em crianças com sindroma nefrótica idiopática complicada

Autores

  • Carla Leal Moreira Unidade de Nefrologia Pediátrica, Centro Materno-Infantil do Norte, Centro Hospitalar Universitário do Porto
  • Rita Baptista Unidade de Nefrologia Pediátrica, Centro Materno-Infantil do Norte, Centro Hospitalar Universitário do Porto
  • Pedro Maneira Sousa Unidade de Nefrologia Pediátrica, Centro Materno-Infantil do Norte, Centro Hospitalar Universitário do Porto
  • Juliana Maciel Unidade de Nefrologia Pediátrica, Centro Materno-Infantil do Norte, Centro Hospitalar Universitário do Porto
  • Liane Costa Unidade de Nefrologia Pediátrica, Centro Materno-Infantil do Norte, Centro Hospitalar Universitário do Porto
  • Ana Teixeira Unidade de Nefrologia Pediátrica, Centro Materno-Infantil do Norte, Centro Hospitalar Universitário do Porto
  • Teresa Costa Unidade de Nefrologia Pediátrica, Centro Materno-Infantil do Norte, Centro Hospitalar Universitário do Porto
  • Paula Matos Unidade de Nefrologia Pediátrica, Centro Materno-Infantil do Norte, Centro Hospitalar Universitário do Porto
  • Liliana Rocha Unidade de Nefrologia Pediátrica, Centro Materno-Infantil do Norte, Centro Hospitalar Universitário do Porto
  • Maria Sameiro Faria Unidade de Nefrologia Pediátrica, Centro Materno-Infantil do Norte, Centro Hospitalar Universitário do Porto
  • Conceição Mota Unidade de Nefrologia Pediátrica, Centro Materno-Infantil do Norte, Centro Hospitalar Universitário do Porto

DOI:

https://doi.org/10.25753/BirthGrowthMJ.v28.i2.15974

Palavras-chave:

corticodependente, corticorresistente, sindroma nefrótica, rituximab

Resumo

Introdução: O rituximab pode ser uma arma terapêutica útil no tratamento da sindroma nefrótica complicada, permitindo a redução de inibidores da calcineurina e de corticóides.
Métodos: Estudo retrospetivo de todas as crianças que receberam rituximab no tratamento de sindroma nefrótica num hospital terciário. Todos os doentes, exceto um (dose única), receberam quatro infusões de rituximab 375mg/m2 com intervalo de uma semana, tendo um seguimento mínimo de quatro meses e máximo de 118 meses.
Resultados: Foram incluídos 11 doentes, três com sindroma nefrótica corticorresistente e oito com sindroma nefrótica corticodependente ou multirrecidivante. A relação masculino:feminino foi de 8:3, com idade mediana no quadro inaugural de 2,7 anos (mínimo 1,7 - máximo 9,9). Todos os doentes foram tratados previamente com inibidores da calcineurina, oito com ciclofosfamida e sete com micofenolato de mofetil. Dois doentes não responderam, evoluindo para a doença renal crónica estádio 5. Registou-se uma mediana de três episódios de recidiva nos seis meses pré-rituximab e nenhuma recidiva nos seis meses pós-rituximab (p=0.013). Foi possível reduzir significativamente a dose de corticóides (p=0.001). Dois doentes recidivaram aos 9 e 12 meses pós-rituximab. Um outro doente recidivou imediatamente após transplante renal. Verificou-se recuperação da contagem de células CD19 em seis doentes, incluindo dois recidivantes. Não se reportou nenhum caso de infeção severa ou neoplasia.
Conclusão: O rituximab reduziu significativamente o número de recidivas e a dose de corticóides na sindroma nefrótica complicada. A recuperação da contagem de células CD19 não previu a recidiva, mas pode indicar a necessidade de doses adicionais de rituximab.

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Publicado

2019-07-18

Como Citar

1.
Moreira CL, Baptista R, Sousa PM, Maciel J, Costa L, Teixeira A, Costa T, Matos P, Rocha L, Faria MS, Mota C. Uso de rituximab em crianças com sindroma nefrótica idiopática complicada. REVNEC [Internet]. 18 de Julho de 2019 [citado 6 de Abril de 2025];28(2):70-6. Disponível em: https://revistas.rcaap.pt/nascercrescer/article/view/15974

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