Caraterização do consumo de antidepressivos em doentes idosos institucionalizados em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) na região do Algarve – Portugal
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47588Palavras-chave:
Antidepressivos; Polimedicação; Revisão de medicação; Medicamentos potencialmente inapropriadosResumo
O consumo de antidepressivos em idosos institucionalizados apresenta uma prevalência elevada e considerável variabilidade entre unidades de cuidados (Ishtiak-Ahmed et al., 2023). A vulnerabilidade desta população e a classe de antidepressivos utilizada intensifica o risco de interações farmacológicas e reações adversas graves, contribuindo para hospitalizações (Romdhani et al., 2023). As diferenças nas prescrições médicas reforçam a necessidade de revisões farmacoterapêuticas e de estratégias que garantam a segurança e a otimização da farmacoterapia (Ishtiak-Ahmed et al., 2023; Delara et al. 2022). O objetivo deste trabalho foi caracterizar o consumo de antidepressivos em idosos institucionalizados em ERPI na região do Algarve–Portugal. Realizou-se um estudo descritivo transversal, utilizando os perfis farmacoterapêuticos de idosos (≥65 anos) que consumiam pelo menos 1 medicamento. Os medicamentos foram classificados pelo sistema Anatomical Therapeutic Chemical (ATC–nível 5). Foi analisada a polimedicação e polimedicação excessiva (≥5 e ≥10 medicamentos), assim como o consumo de medicamentos potencialmente inapropriados (MPI) através EU(7)-PIM List operacionalizada para Portugal. Foram incluídos 162 idosos institucionalizados com idade média de 86,50±9,19 anos, 70,4% (n=114) do sexo feminino. A prevalência de consumo de antidepressivos foi de 47,5% (n=77). Os fármacos mais prescritos foram mirtazapina (27,3%; n=21) e escitalopram (23,4%; n=18). As mulheres apresentaram um número médio de consumo de antidepressivos mais elevado (0,65±0,704 vs. 0,44±0,649), ainda que não estatisticamente significativa (p=0,066) face aos homens. Quanto à polimedicação e à polimedicação excessiva, esta foi identificada em 36,4% e 59,7% (n=28 e n=46; χ2=7,642; p=0,022) dos utilizadores de antidepressivos. Identificou-se ainda o consumo de MPI em 88,3% dos utilizadores de antidepressivos (n=68; χ2=2,619; p=0,106,), sendo a paroxetina (6,49%; n=5) o mais consumido. Concluiu-se que cerca de metade da amostra consumia pelo menos um antidepressivo, sem diferenças estatisticamente significativas entre o sexo, sendo a mirtazapina e o escitalopram, fármacos com elevada tolerabilidade e baixa incidência de efeitos secundários, os mais consumidos. Verificou-se também que os idosos polimedicados apresentam uma maior probabilidade de consumo de antidepressivos, sendo importante a revisão da medicação destes indivíduos para otimização da terapêutica.
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 RevSALUS - Revista Científica Internacional da Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia – RACS

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.
Dados de financiamento
-
European Regional Development Fund
Números do Financiamento 0237_NUMAPLUS_5_E — «Más allá del nuevo modelo asistencial: regiones cardio aseguradas»







