Caraterização do consumo de antidepressivos em doentes idosos institucionalizados em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) na região do Algarve – Portugal

Autores

  • Carina Dias Escola Superior de Saúde (ESSUAlg), Universidade do Algarve, Faro, Portugal
  • Amanda Andrade Escola Superior de Saúde (ESSUAlg), Universidade do Algarve, Faro, Portugal; Faculty of Pharmacy, Pharmacology Department, University of Seville, Seville, Spain
  • Miguel Monteiro Escola Superior de Saúde (ESSUAlg), Universidade do Algarve, Faro, Portugal
  • Dragus Dartu Escola Superior de Saúde (ESSUAlg), Universidade do Algarve, Faro, Portugal
  • Rocío de la Puerta Faculty of Pharmacy, Pharmacology Department, University of Seville, Seville, Spain
  • Tânia Nascimento Escola Superior de Saúde (ESSUAlg), Universidade do Algarve, Faro; Algarve Biomedical Research Institute (ABC-Ri), Faro, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47588

Palavras-chave:

Antidepressivos; Polimedicação; Revisão de medicação; Medicamentos potencialmente inapropriados

Resumo

O consumo de antidepressivos em idosos institucionalizados apresenta uma prevalência elevada e considerável variabilidade entre unidades de cuidados (Ishtiak-Ahmed et al., 2023). A vulnerabilidade desta população e a classe de antidepressivos utilizada intensifica o risco de interações farmacológicas e reações adversas graves, contribuindo para hospitalizações (Romdhani et al., 2023). As diferenças nas prescrições médicas reforçam a necessidade de revisões farmacoterapêuticas e de estratégias que garantam a segurança e a otimização da farmacoterapia (Ishtiak-Ahmed et al., 2023; Delara et al. 2022). O objetivo deste trabalho foi caracterizar o consumo de antidepressivos em idosos institucionalizados em ERPI na região do Algarve–Portugal. Realizou-se um estudo descritivo transversal, utilizando os perfis farmacoterapêuticos de idosos (≥65 anos) que consumiam pelo menos 1 medicamento. Os medicamentos foram classificados pelo sistema Anatomical Therapeutic Chemical (ATC–nível 5). Foi analisada a polimedicação e polimedicação excessiva (≥5 e ≥10 medicamentos), assim como o consumo de medicamentos potencialmente inapropriados (MPI) através EU(7)-PIM List operacionalizada para Portugal. Foram incluídos 162 idosos institucionalizados com idade média de 86,50±9,19 anos, 70,4% (n=114) do sexo feminino. A prevalência de consumo de antidepressivos foi de 47,5% (n=77). Os fármacos mais prescritos foram mirtazapina (27,3%; n=21) e escitalopram (23,4%; n=18). As mulheres apresentaram um número médio de consumo de antidepressivos mais elevado (0,65±0,704 vs. 0,44±0,649), ainda que não estatisticamente significativa (p=0,066) face aos homens. Quanto à polimedicação e à polimedicação excessiva, esta foi identificada em 36,4% e 59,7% (n=28 e n=46; χ2=7,642; p=0,022) dos utilizadores de antidepressivos. Identificou-se ainda o consumo de MPI em 88,3% dos utilizadores de antidepressivos (n=68; χ2=2,619; p=0,106,), sendo a paroxetina (6,49%; n=5) o mais consumido. Concluiu-se que cerca de metade da amostra consumia pelo menos um antidepressivo, sem diferenças estatisticamente significativas entre o sexo, sendo a mirtazapina e o escitalopram, fármacos com elevada tolerabilidade e baixa incidência de efeitos secundários, os mais consumidos. Verificou-se também que os idosos polimedicados apresentam uma maior probabilidade de consumo de antidepressivos, sendo importante a revisão da medicação destes indivíduos para otimização da terapêutica.

Publicado

2026-09-17

Como Citar

Dias, C., Andrade, A., Monteiro, M., Dartu, D., de la Puerta, R., & Nascimento, T. (2026). Caraterização do consumo de antidepressivos em doentes idosos institucionalizados em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) na região do Algarve – Portugal. RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia – RACS, 8(SupIII). https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47588

Dados de financiamento

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