Avaliação da carga anticolinérgica em idosos com demência institucionalizados em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI)
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47647Palavras-chave:
Carga Anticolinérgica; CRIDECO-CALS; Demência; Idosos; Nursing-HomesResumo
No processo do envelhecimento existem mudanças fisiológicas que afetam a farmacocinética de medicamentos, potencializando os efeitos adversos. A polimedicação é um fator comum nos idosos e mais prevalente ainda nos idosos institucionalizados, sendo associado a maior risco de interações medicamentosas. Os medicamentos anticolinérgicos funcionam bloqueando os recetores de acetilcolina, inibindo o seu efeito a nível de sistema nervoso central e periférico potenciando efeitos como delírio, perda de funções cognitivas, diminuição da motilidade intestinal, entre outros (Nascimento et al., 2026; Ramos et al., 2022). O objetivo deste estudo foi caracterizar e avaliar a carga anticolinérgica total (CAT) em idosos com demência institucionalizados em ERPI, no Algarve, Portugal.
Realizou-se um estudo descritivo transversal, utilizando os perfis farmacoterapêuticos de idosos (≥65 anos) institucionalizados. Os critérios de inclusão foram diagnóstico médico de demência ou doença de Alzheimer e o uso de pelo menos um medicamento. A CAT foi calculada utilizando a escala CALS (do inglês “CRIDECO-Anticholinergic Load Scale”) e somando os valores atribuídos a cada medicamento. Uma CAT≥3 foi utilizada como limiar para um risco mais elevado (Soraci et al., 2025).
Foram incluídos 27 idosos, dos quais 20 (74,1%) eram do sexo feminino, com média de idade de 87,15±6,41 anos. Cerca de 85,2% (n=21) eram polimedicados (≥5 medicamentos), com um consumo médio de 8,30±4,10 medicamentos. Quanto à carga anticolinérgica total verificou-se uma média de 3,74±2,14. Dos 27 participantes, 70,4% (n=19) apresentavam uma CAT≥3. Entre as mulheres 65% (n=13) apresentavam CAT≥3 enquanto nos homens essa proporção foi de 85,7% (n=6). Verificou-se uma CAT superior nos homens (4,43±2,64) que nas mulheres (3,50±1,96) embora sem diferenças significativas (p=0,333). Verificou-se uma correlação positiva forte entre o número de medicamentos e a carga anticolinérgica (r=0,705; p<0,001), indicando que os participantes com maior número de medicamentos apresentavam tendencialmente maior carga anticolinérgica.
Os resultados obtidos mostram a necessidade de revisão de medicação em idosos institucionalizados com diagnóstico de demência, particularmente polimedicados, de modo a diminuir a probabilidade de reações anticolinérgicas derivadas da medicação.
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Números do Financiamento 0237_NUMAPLUS_5_E-"Más allá del nuevo modelo asistencial: regiones cardio aseguradas"







