Caraterização do uso de antipsicóticos em idosos institucionalizados em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) no Algarve – um estudo piloto
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47636Palavras-chave:
Antipsicóticos; Idosos; Medicamentos Potencialmente Inapropriados; Nursing-homesResumo
A população idosa institucionalizada é caraterizada pela presença de multimorbilidade e polimedicação (uso de ≥5 medicamentos), resultando numa incidência acrescida de potenciais interações medicamentosas e presença de medicamentos potencialmente inapropriados (MPI). Por este motivo, a revisão periódica e multidisciplinar da medicação é importante para tornar a prescrição mais segura (Fest et al, 2025). A utilização de fármacos antipsicóticos (AP) é geralmente prescrita para tratar sintomas associados a agitação e demência (de Melo et al, 2023), sendo a terceira classe de MPI mais prevalente em idosos. Recomendações internacionais aconselham o uso abordagens terapêuticas não farmacológicas em substituição do uso de AP, se viável, enfatizando a necessidade reavaliação terapêutica (Peixoto et al, 2021). Este trabalho teve como objetivo determinar e caraterizar a prevalência de utilização de AP em idosos institucionalizados em ERPI, no Algarve, Portugal.
Realizou-se um estudo transversal e descritivo utilizando perfis farmacoterapêuticos de idosos institucionalizados (≥65 anos) com pelo menos um medicamento prescrito. Os medicamentos foram classificados pelo sistema Anatomical Therapeutic Chemical (ATC–nível 5) e os MPI classificados através EU(7)-PIM List operacionalizada para Portugal.
Foram incluídos 161 indivíduos, maioritariamente do sexo feminino (65,8%, n=106) com uma idade média de 85,1±8,2 anos que consumiam, em média, 7,40±3,0 medicamentos. Cerca de 81% (n=134) foram identificados como polimedicados (≥5 medicamentos), e 19,3% (n=31) como polimedicados excessivos (≥10 medicamentos). Cerca de 29% (n=47) consumia pelo menos um AP, predominantemente do grupo ATCN05AH (78,8%, n=37), sendo a Quetiapina (N05AH04) a substância ativa mais utilizada (74,5%; n=35). Não se verificaram diferenças significativas entre os sexos ou outras variáveis sociodemográficas ou clínicas (p>0,05). Embora não significativo (p=0,065), o consumo médio de AP entre os idosos com diagnóstico de demências foi maior (0,54±0,85) que entre os idosos sem demências (0,31±0,58). De entre os idosos que consumiam AP, 25,5% (n=12) consumiam antipsicóticos considerados potencialmente inapropriados, nomeadamente Haloperidol (N05AD01) (10,6%, n=5) e Risperidona (N05AX08) (8,5%, n=4).
Observou-se uma elevada utilização de antipsicóticos em idosos institucionalizados, verificando-se que cerca de 25% destes indivíduos estavam expostos a pelo menos um antipsicótico potencialmente inapropriado. Estes resultados reforçam a importância da monitorização da farmacoterapia e de promoção de estratégias de otimização terapêutica.
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 RevSALUS - Revista Científica Internacional da Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia – RACS

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.
Dados de financiamento
-
European Regional Development Fund
Números do Financiamento 0237_NUMAPLUS_5_E — «Más allá del nuevo modelo asistencial: regiones cardio aseguradas»







