Caraterização do uso de antipsicóticos em idosos institucionalizados em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) no Algarve – um estudo piloto

Autores

  • Miguel Monteiro Escola Superior de Saúde (ESSUAlg), Universidade do Algarve, Faro, Portugal
  • Amanda Andrade Escola Superior de Saúde (ESSUAlg), Universidade do Algarve, Faro, Portugal; Faculty of Pharmacy, Pharmacology Department, University of Seville, Seville, Spain
  • Andreia Zuckschwerdt Escola Superior de Saúde (ESSUAlg), Universidade do Algarve, Faro, Portugal
  • Carina Dias Escola Superior de Saúde (ESSUAlg), Universidade do Algarve, Faro, Portugal
  • Dragos Dartu Escola Superior de Saúde (ESSUAlg), Universidade do Algarve, Faro, Portugal
  • Rocío de la Puerta Faculty of Pharmacy, Pharmacology Department, University of Seville, Seville, Spain
  • Tânia Nascimento Escola Superior de Saúde (ESSUAlg), Universidade do Algarve, Faro; Algarve Biomedical Research Institute (ABC-Ri), Faro, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47636

Palavras-chave:

Antipsicóticos; Idosos; Medicamentos Potencialmente Inapropriados; Nursing-homes

Resumo

A população idosa institucionalizada é caraterizada pela presença de multimorbilidade e polimedicação (uso de ≥5 medicamentos), resultando numa incidência acrescida de potenciais interações medicamentosas e presença de medicamentos potencialmente inapropriados (MPI). Por este motivo, a revisão periódica e multidisciplinar da medicação é importante para tornar a prescrição mais segura (Fest et al, 2025). A utilização de fármacos antipsicóticos (AP) é geralmente prescrita para tratar sintomas associados a agitação e demência (de Melo et al, 2023), sendo a terceira classe de MPI mais prevalente em idosos. Recomendações internacionais aconselham o uso abordagens terapêuticas não farmacológicas em substituição do uso de AP, se viável, enfatizando a necessidade reavaliação terapêutica (Peixoto et al, 2021). Este trabalho teve como objetivo determinar e caraterizar a prevalência de utilização de AP em idosos institucionalizados em ERPI, no Algarve, Portugal.

Realizou-se um estudo transversal e descritivo utilizando perfis farmacoterapêuticos de idosos institucionalizados (≥65 anos) com pelo menos um medicamento prescrito. Os medicamentos foram classificados pelo sistema Anatomical Therapeutic Chemical (ATC–nível 5) e os MPI classificados através EU(7)-PIM List operacionalizada para Portugal.

Foram incluídos 161 indivíduos, maioritariamente do sexo feminino (65,8%, n=106) com uma idade média de 85,1±8,2 anos que consumiam, em média, 7,40±3,0 medicamentos. Cerca de 81% (n=134) foram identificados como polimedicados (≥5 medicamentos), e 19,3% (n=31) como polimedicados excessivos (≥10 medicamentos). Cerca de 29% (n=47) consumia pelo menos um AP, predominantemente do grupo ATCN05AH (78,8%, n=37), sendo a Quetiapina (N05AH04) a substância ativa mais utilizada (74,5%; n=35). Não se verificaram diferenças significativas entre os sexos ou outras variáveis sociodemográficas ou clínicas (p>0,05). Embora não significativo (p=0,065), o consumo médio de AP entre os idosos com diagnóstico de demências foi maior (0,54±0,85) que entre os idosos sem demências (0,31±0,58). De entre os idosos que consumiam AP, 25,5% (n=12) consumiam antipsicóticos considerados potencialmente inapropriados, nomeadamente Haloperidol (N05AD01) (10,6%, n=5) e Risperidona (N05AX08) (8,5%, n=4).

Observou-se uma elevada utilização de antipsicóticos em idosos institucionalizados, verificando-se que cerca de 25% destes indivíduos estavam expostos a pelo menos um antipsicótico potencialmente inapropriado. Estes resultados reforçam a importância da monitorização da farmacoterapia e de promoção de estratégias de otimização terapêutica.

Publicado

2026-09-17

Como Citar

Monteiro, M., Amanda Andrade, Andreia Zuckschwerdt, Carina Dias, Dragos Dartu, Rocío de la Puerta, & Nascimento, T. (2026). Caraterização do uso de antipsicóticos em idosos institucionalizados em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) no Algarve – um estudo piloto. RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia – RACS, 8(SupIII). https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47636

Dados de financiamento

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