Carga de trabalho de enfermagem em medicina intensiva pediátrica: implicações para a gestão dos cuidados

Autores

  • Carmo Machado Escola Superior de Enfermagem, Universidade do Porto; Serviço de Medicina Intensiva Pediátrica, Unidade Local de Saúde de São João
  • Rita Fernandes RISE-Health; Escola Superior de Enfermagem, Universidade do Porto, Porto, Portugal
  • Lígia Lima RISE-Health; Escola Superior de Enfermagem, Universidade do Porto, Porto, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47664

Palavras-chave:

Carga de trabalho; P-NAS; Enfermagem pediátrica; Cuidados intensivos pediátricos; Gestão de recursos humanos

Resumo

Introdução: A avaliação da carga de trabalho de enfermagem em cuidados intensivos pediátricos é relevante para adequar os recursos humanos à complexidade clínica das crianças. O Pediatric-Nursing Activities Score (P-NAS) permite estimar essa carga com base nas necessidades reais, identificando áreas de maior exigência na prática de enfermagem. A sua utilização ajuda na gestão de recursos humanos, contribuindo para reduzir situações de sobrecarga, com impacto na qualidade dos cuidados prestados e no bem-estar dos enfermeiros.

Objetivos: Descrever a carga de trabalho dos enfermeiros num Serviço de Medicina Intensiva Pediátrica e caracterizar as crianças internadas e suas famílias.

Material e Métodos: Estudo quantitativo, transversal e descritivo, realizado num Serviço de Medicina Intensiva Pediátrica. Solicitou-se ao autor autorização para aplicação do P-NAS e colaboração na tradução das intervenções adicionais incorporadas nos itens existentes. Recolheram-se dados sociodemográficos das crianças e famílias, dados clínicos das crianças e dados relativos à aplicação do P-NAS. Incluíram-se 61 registos de crianças com idade entre 1 mês e 18 anos, internamento mínimo de 24 horas e P-NAS preenchido. Foi obtido parecer favorável da Comissão de Ética e assegurado o anonimato e a confidencialidade dos dados.

Resultados: O P-NAS evidenciou valores elevados, com uma proporção considerável de crianças com pontuações superiores às recomendadas, sugerindo elevada exigência de cuidados. Esta exigência foi particularmente evidente nos momentos de admissão e alta do serviço. Observaram-se ainda valores mais elevados de carga de trabalho em crianças com maior gravidade clínica, necessidade de isolamento e em situações de óbito.

Conclusões: Cargas de trabalho elevadas reforçam a necessidade de adequar os recursos de enfermagem à complexidade dos cuidados em medicina intensiva pediátrica. Em contextos de maior sobrecarga, os cuidados relacionais, de capacitação e de apoio à criança e família podem ficar condicionados pela prioridade atribuída às necessidades fisiológicas imediatas. O P-NAS apoia na gestão dos cuidados centrados na criança e família, identificando situações de maior exigência na prestação de cuidados, contribuindo para a reflexão sobre estratégias de prevenção da exaustão profissional e da Síndrome Pós-Cuidados Intensivos Pediátrico, e para promover cuidados centrados na criança e família.

Publicado

2026-09-17

Como Citar

Machado, C., Fernandes, R., & Lima, L. (2026). Carga de trabalho de enfermagem em medicina intensiva pediátrica: implicações para a gestão dos cuidados. RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia – RACS, 8(SupIII). https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47664

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