Cuidados atraumáticos em procedimentos invasivos pediátricos: Influência dos fatores profissionais e organizacionais

Autores

  • Júlia Neto Rise Health, Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, Porto, Portugal
  • Rita Fernandes Rise Health, Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, Porto, Portugal
  • Maria Céu Barbieri Figueiredo Rise Health, Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, Porto, Portugal
  • Fernanda Carvalho Rise Health, Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, Porto, Portugal
  • Luísa Andrade Rise Health, Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, Porto, Portugal
  • Teresa Martins Rise Health, Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, Porto, Portugal
  • Ilda Fernandes Rise Health, (Professora Aposentada da Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, Porto, Portugal)
  • Sara Monteiro Instituto Português de Oncologia do Porto, Portugal
  • Cátia Ferreira Unidade Local de Saúde Tâmega e Sousa, Portugal
  • Lígia Lima Rise Health, Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, Porto, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47665

Palavras-chave:

Enfermagem pediátrica; Cuidados atraumáticos; Procedimentos invasivos; Fatores organizacionais; Fatores profissionais

Resumo

Introdução: Os procedimentos invasivos constituem uma fonte de dor, ansiedade e stress na criança. Na enfermagem pediátrica, a gestão destes sintomas envolve a avaliação da dor, a preparação da criança e família tal como a utilização de estratégias farmacológicas e não farmacológicas. A sua implementação pode variar em função de fatores associados ao contexto de cuidados e à prática profissional, pelo que se torna relevante compreender esses fatores.

Objetivos: Identificar os fatores organizacionais e profissionais que condicionam a implementação de estratégias de gestão da dor, ansiedade e stress em crianças submetidas a procedimentos invasivos.

Metodologia: Estudo exploratório qualitativo, com recurso a entrevistas semiestruturadas a 34 enfermeiros especialistas em enfermagem de saúde infantil e pediátrica, a exercer funções em cuidados de saúde primários e cuidados hospitalares em Portugal. Os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo, segundo Bardin.

Resultados: A gestão da dor, ansiedade e stress em crianças durante procedimentos invasivos depende não apenas das competências dos enfermeiros, mas também das condições organizacionais e profissionais. O desenvolvimento profissional contínuo, a experiência clínica, a formação em avaliação da dor e estratégias multimodais foram identificados como fatores facilitadores da prestação de cuidados seguros, e centrados na criança e família. Em contrapartida, a escassez de recursos humanos, a elevada carga de trabalho e as limitações de tempo dificultam a implementação consistente de medidas de conforto. A falta de tecnologia e materiais adequados constitui igualmente uma barreira à utilização de intervenções não farmacológicas centradas na criança.

Conclusões: A promoção do conforto da criança durante procedimentos invasivos depende da interação entre competências profissionais, condições organizacionais e apoio institucional. A formação, a experiência clínica e a capacidade de avaliação da dor favorecem a implementação de estratégias de gestão da dor, ansiedade e stress. Contudo, esta pode ser dificultada pela insuficiência de recursos, rácios inadequados, sobrecarga de trabalho e falta de apoio institucional. A gestão da dor, ansiedade e stress exige uma abordagem sistémica que integre formação contínua, suporte organizacional e uma cultura de cuidados atraumáticos centrados na criança e família.

Publicado

2026-09-17

Como Citar

Neto, J., Fernandes, R., Barbieri Figueiredo, M. C., Carvalho, F., Andrade, L., Martins, T., … Lima, L. (2026). Cuidados atraumáticos em procedimentos invasivos pediátricos: Influência dos fatores profissionais e organizacionais. RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia – RACS, 8(SupIII). https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47665

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