Cuidados atraumáticos em procedimentos invasivos pediátricos: Influência dos fatores profissionais e organizacionais
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47665Palavras-chave:
Enfermagem pediátrica; Cuidados atraumáticos; Procedimentos invasivos; Fatores organizacionais; Fatores profissionaisResumo
Introdução: Os procedimentos invasivos constituem uma fonte de dor, ansiedade e stress na criança. Na enfermagem pediátrica, a gestão destes sintomas envolve a avaliação da dor, a preparação da criança e família tal como a utilização de estratégias farmacológicas e não farmacológicas. A sua implementação pode variar em função de fatores associados ao contexto de cuidados e à prática profissional, pelo que se torna relevante compreender esses fatores.
Objetivos: Identificar os fatores organizacionais e profissionais que condicionam a implementação de estratégias de gestão da dor, ansiedade e stress em crianças submetidas a procedimentos invasivos.
Metodologia: Estudo exploratório qualitativo, com recurso a entrevistas semiestruturadas a 34 enfermeiros especialistas em enfermagem de saúde infantil e pediátrica, a exercer funções em cuidados de saúde primários e cuidados hospitalares em Portugal. Os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo, segundo Bardin.
Resultados: A gestão da dor, ansiedade e stress em crianças durante procedimentos invasivos depende não apenas das competências dos enfermeiros, mas também das condições organizacionais e profissionais. O desenvolvimento profissional contínuo, a experiência clínica, a formação em avaliação da dor e estratégias multimodais foram identificados como fatores facilitadores da prestação de cuidados seguros, e centrados na criança e família. Em contrapartida, a escassez de recursos humanos, a elevada carga de trabalho e as limitações de tempo dificultam a implementação consistente de medidas de conforto. A falta de tecnologia e materiais adequados constitui igualmente uma barreira à utilização de intervenções não farmacológicas centradas na criança.
Conclusões: A promoção do conforto da criança durante procedimentos invasivos depende da interação entre competências profissionais, condições organizacionais e apoio institucional. A formação, a experiência clínica e a capacidade de avaliação da dor favorecem a implementação de estratégias de gestão da dor, ansiedade e stress. Contudo, esta pode ser dificultada pela insuficiência de recursos, rácios inadequados, sobrecarga de trabalho e falta de apoio institucional. A gestão da dor, ansiedade e stress exige uma abordagem sistémica que integre formação contínua, suporte organizacional e uma cultura de cuidados atraumáticos centrados na criança e família.
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