Quando os Doentes Perguntam à Inteligência Artificial: Oportunidades e Desafios na Comunicação em Oncologia
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47611Keywords:
Radioterapia; Cancro da mama; Toxicidade cutânea; Inteligência Artificial; Educação do doenteAbstract
Introdução: A crescente utilização de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) por doentes oncológicos está a transformar a comunicação em saúde. Na radioterapia do cancro da mama, onde elevadas necessidades de informação coexistem com preocupações sobre toxicidade cutânea, importa avaliar em que medida estes modelos fornecem respostas clinicamente robustas, legíveis e adequadas às necessidades das doentes.
Objetivos: Comparar a qualidade, a clareza, a acessibilidade linguística e a consistência das respostas do ChatGPT‑4.0 e do Gemini 2.5 Flash a perguntas frequentes de doentes com cancro da mama sobre toxicidade cutânea induzida pela radioterapia.
Métodos: Desenvolveu‑se um estudo misto analítico‑descritivo. A partir de uma revisão da literatura sobre necessidades de informação em radioterapia mamária, foram identificadas 23 questões representativas das preocupações das doentes relativamente à toxicidade cutânea. Cada pergunta foi submetida, em inglês, ao ChatGPT‑4.0 e ao Gemini 2.5 Flash em sessões independentes. Dezasseis radioterapeutas europeus avaliaram, de forma cega e independente, as respostas de cada modelo utilizando uma escala de Likert de sete pontos aplicada a oito dimensões de qualidade. Adicionalmente, realizaram‑se análises de similaridade semântica (similaridade do cosseno), de fiabilidade interavaliadores (alfa de Krippendorff, kappa de Fleiss) e de legibilidade (Flesch Reading Ease Score, Flesch‑Kincaid Grade Level).
Resultados: O Gemini 2.5 Flash obteve classificações medianas superiores (6/7), destacando‑se pela maior profundidade clínica, linguagem centrada na doente e maior consistência entre avaliadores (α=0,78; κ=0,70). O ChatGPT‑4.0 apresentou medianas de 5/7, produzindo respostas mais diretas e estruturadas, com nível de leitura próximo do 8.º ano, enquanto o Gemini atingiu níveis em torno do 11.º ano, refletindo maior complexidade textual. A similaridade semântica entre os modelos foi moderada (mediana de 0,78), evidenciando abordagens distintas na apresentação da informação.
Conclusões: Ambos os modelos de IA demonstraram potencial como ferramentas complementares para a educação do doente em radioterapia do cancro da mama, evidenciando perfis funcionais distintos. O Gemini 2.5 Flash revelou‑se mais adequado para questões complexas e psicossociais, enquanto o ChatGPT‑4.0 mostrou‑se particularmente útil ao fornecer orientações práticas em linguagem mais acessível. A sua utilização deverá ser enquadrada em validação profissional contínua e integrada, como complemento, e não substituto, da comunicação clínica presencial.
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