Cuidar idosos no domicílio, em contexto rural

Autores

  • Emília Sarmento ACES do Douro
  • Amélia Rego Investigadora

DOI:

https://doi.org/10.48492/servir025-6.23281

Resumo

Saber quem são e como vivem as populações rurais, nomeadamente como vivenciam as questões da situação de saúde, constituiu a razão deste estudo no qual são abordados três conceitos centrais, nomeadamente, a comunidade rural, a população idosa e os determinantes sociais de saúde. O aumento progressivo da longevidade, observado de forma transversal em todas as sociedades, acompanhado de uma acentuada queda na fecundidade e mortalidade geral, tem conduzido a uma mudança significativa da pirâmide etária da população, aumentando de forma substancial as pessoas com idade superior a 65 anos. Trata-se de um estudo exploratório e descritivo. Tomámos uma amostra de conveniência, constituída por 777 habitantes, dos quais 64,1% são idosos, que preencheram os seguintes critérios de inclusão: habitar na área rural de um Concelho da região norte (NUT’s III); aceitar participar da pesquisa e ter recorrido à unidade móvel no período em estudo, ou seja de Janeiro a Setembro de 2010. Consideramos esta tipificação a mais adequada aos objectivos deste estudo, uma vez que se procura conhecer o perfil de saúde da população idosa, de uma determinada área geográfica e conhecer alguns factores que influenciam esse perfil de saúde. Foram tidos em consideração todos os procedimentos éticos decorrentes de uma investigação científica com seres humanos, tendo sido obtido parecer favorável da Comissão de Ética para a Saúde, da ARS Norte (parecer nº 35/2009). Para a recolha de dados utilizámos o inquérito por questionário e a observação participante. Os resultados revelam que o interior vai tornar-se um enorme “lar de idosos” e os cuidados aos idosos em contexto domiciliário são uma tarefa de apoio das redes de vizinhança. Foi constatado que 62,9% não tinham auto vigilância de saúde adequada; 62,3% tinham uma adesão ao regime terapêutico prescrito, não demonstrado e 65,5% tinham uma gestão do regime terapêutico ineficaz. Relativamente à situação de saúde verificou-se que 25,1% dos inquiridos sofrem de patologia cardiovascular, 20,7% de patologia osteoarticular e que 16,2% de patologia cardiovascular e metabólica, concomitantemente. No que se refere ao acesso às consultas médicas, 62,2% dos elementos da nossa amostra tiveram entre 0 e 5 consultas no seu médico de família, no ano anterior à aplicação do questionário. O estudo contribui para dar visibilidade a essa parcela da população, reflectir a influência da cultura do meio rural na saúde das populações e ajudar a repensar a adequação das políticas públicas e a importância de utilizar estratégias de proximidade na elaboração de planos de saúde, visando proporcionar um cuidado adequado e equitativo. Os cuidados de proximidade serão aqueles que, efetivamente, minimizam as dificuldades identificadas, decorrentes do isolamento geodemográfico e do acesso aos cuidados de saúde por deficit de conhecimentos e reduzida rede de suporte social e familiar.

Referências

Brito, L. (2001). A saúde mental dos prestadores de cuidados a familiares idosos. Coimbra: Quarteto Editora, p. 15.

Bugalho, A. & Carneiro, A. (2004). Intervenções para aumentar a adesão terapêutica em patologias crónicas. Lisboa Centro de Estudos de medicina Baseada na Evidência – Faculdade de medicina de Lisboa.

Castro, Cristina M.V. (2007). «Representações Sociais dos Enfermeiros face ao Idoso, em contexto de prestação de cuidados». Dissertação de Mestrado em Comunicação em Saúde. Orientadora: Prof.ª Doutora Natália Ramos. Universidade Aberta. Lisboa. Disponível em https://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/705.

Clavel, G. (2005). A sociedade de exclusão – Compreendê-la para dela sair, Porto Editora, Porto.

Commission on Social Determinants of Health (CSDH). A conceptual framework for action on social determinants of health. Disponível em www.determinantes.fiocruz.br

Conselho Internacional de Enfermeiros. (2006). Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem CIPE/ICNP. Versão 1.0. Lisboa: IGIF.

Direção Geral de Saúde (2001). Autocuidados na saúde e na doença: guias para pessoas idosas. Lisboa: DGS.

Fernandes, P. (2002). A depressão no idoso. Coimbra: Quarteto Editora, p.15.

Fonseca, A.M. (2008). Psicologia do envelhecimento e vulnerabilidade. In Carvalho, A. S. (coord). Bioé- ticas e vulnerabilidade (195-218). Coimbra: Edições Almedina.

Fortado, C. & Pereira, J. (2010). Equidade e Acesso aos cuidados de Saúde. Escola Nacional de Saúde Pública. Universidade Nova de Lisboa. Lisboa. Julho, Documento de trabalho.

Hortelão, A.P.S. (2003). Qualidade de vida e envelhecimento. Estudo comparativo de idosos residentes em comunidade e idosos institucionalizados na região de Lisboa. Lisboa: Dissertação de mestrado em Comunicação em saúde, Universidade Aberta.

Instituto Nacional de Estatística (2002). Recenseamento Geral da População Portuguesa, 2001-2002. Lisboa: INE.

Marino, M. C. A.; Moraes, E. N. & Santos, A. G. R. (1999). Avanços e perspectivas em geriatria. In: PETRO ANU, A. & Pimenta, L.G. Clínica e cirurgia geriátrica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.

Mota, Ana Elizabete (org) (2010). O Mito da Assistência Social: ensaios sobre Estado, política e sociedade. 4ª ed. São Paulo: Cortez.

Paúl, Constança (2005). «Envelhecimento Activo e Redes de Suporte Social», in Sociologia,15, pp. 275-287.

Pereira J. (2002). Prestação de cuidados de acordo com as necessidades? Um estudo empírico aplicado ao sistema português. In: Piola, SF. & Vianna, SM. (ed). Economia da Saúde: conceitos e contribuição para a gestão da saúde. 3ª ed. Brasília, IPEA; p.141-16

Peres, M. A. de C. (2011). Velhice e analfabetismo, uma relação paradoxal: a exclusão educacional em contextos rurais da região Nordeste. Soc. estado. [online], 26, 3, pp.631-662. ISSN 0102-6992. https://doi.org/10.1590/S0102-69922011000300011

Downloads

Publicado

2017-12-31

Como Citar

Sarmento, E., & Rego, A. (2017). Cuidar idosos no domicílio, em contexto rural. Servir, 59(5-6), 11–19. https://doi.org/10.48492/servir025-6.23281

Edição

Secção

Artigos