Cuidados de saúde e resiliência familiar na perspetiva de pessoas mais velhas com doença oncológica
DOI:
https://doi.org/10.48492/servir0214.41497Palavras-chave:
Oncogeriatria, promoção da resiliência, saúde familiar, humanização dos cuidados, empatiaResumo
Introdução: As doenças oncológicas nas pessoas mais velhas representam, em Portugal, uma das principais causas de incapacidade e de sofrimento físico, psicológico, social, com impacto na saúde familiar. Na vivência destas doenças, as famílias, enquanto sistemas abertos em permanente interação com múltiplos sistemas ao seu redor, podem construir processos de resiliência, relevantes para a sua saúde e desenvolvimento. A resiliência familiar depende não apenas da capacidade dos elementos da família como também dos recursos da comunidade, tendo os profissionais de saúde um importante papel.
Objetivo: Analisar perceções de pessoas mais velhas com doença oncológica face aos cuidados de saúde recebidos e sua influência na construção dos processos de resiliência familiar.
Métodos: Estudo, de cariz qualitativo descritivo, inserido numa investigação sobre resiliência familiar e saúde na região Centro de Portugal. Foi realizada uma entrevista em profundidade a 10 famílias, pela pessoa idosa com doença oncológica, selecionadas na comunidade por snowball. Procedeu-se à análise temática, apoiada no enquadramento concetual de resiliência familiar de Froma Walsh, gerando-se um mapa temático com três temas: “cuidados omissos”; “vivências positivas nos cuidados recebidos”; “cuidados promotores da resiliência familiar”.
Resultados: Tanto no momento inicial da doença como durante os tratamentos, as pessoas mais velhas sentiram, por vezes a) a omissão de cuidados, pela falta de humanização, idadismo e comunicação pouco clara; mas também b) vivências positivas, reconhecendo a presença dos profissionais em momentos dolorosos, intervenções educativas relevantes e o respeito pela privacidade; e que a) alguns cuidados contribuíram para a resiliência familiar, pela promoção da aceitação, da esperança e da comunicação intrafamiliar.
Conclusão: As conclusões evidenciam a premência de cuidados de saúde que reconheçam as necessidades das pessoas mais velhas e do seu sistema familiar no decorrer da doença oncológica, promotores da resiliência e saúde.
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