EDITORIAL

Paulo Coelho Dias, Maria Cristina Madeira Silva

Resumo


Neste número temático organizámos um conjunto de artigos que resultaram da compilação de algumas das Dissertações de Mestrado já defendidas no Mestrado em Educação Social e Intervenção Comunitária (MESIC) da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém. Pela sua natureza, o âmbito a que respeitam estes artigos é o chamado Terceiro Setor, assim designado nos países anglo-saxónicos ou Economia Solidária, conceito mais empregue na Europa. Trata-se, pela sua imensa amplitude de intervenção, de um campo vasto onde convergem, sob um mesmo nome e utilizando metodologias próximas, um não menos vasto campo teórico que, consoante as diferentes proveniências, mais ligadas à pedagogia, à sociologia, à antropologia ou à psicologia, propendem para modelos de intervenção e propostas metodológicas de ação com as convergências referidas mas, também, com uma imensa diversidade extensamente descrita na literatura da especialidade. Mas a referida diversidade resulta ainda —e, pelo menos em parte, explica as múltiplas óticas ora mencionadas—, dos diferentes públicos-alvo com os quais se trabalha e com a diversidade de problemáticas a cada um deles adstrita. Tendencialmente, esta diversidade surge atualmente agrupada em cinco grandes áreas de intervenção ou campos de ação – Adultos e Idosos, Problemáticas ligadas às crianças e jovens e aos comportamentos de risco; Contextos Educativos (novas abordagens educativas, de natureza não formal, para minorias e contextos sociais degradados; violência em meio escolar e Bullying, etc.); Inclusão Social (imigrantes, minorias étnicas e outras) e Gestão das Organizações Sociais. Como consequência, essas acabam por ser as grandes áreas em torno das quais se estrutura o referido Mestrado em Educação Social e Intervenção Comunitária e, assim, os artigos que se seguirão surgirão organizados segundo esses campos. Na verdade, essas grandes áreas não constituem campos independentes e estanques entre si; pelo contrário, elas estão necessariamente ligadas possuindo inúmeras interseções entre si. Desde logo, elas são, no geral, perpassadas transversalmente -ainda que de uma forma esfumada, sub-reptícia ou, até, etérea-, pelo conceito de inclusão/exclusão social, determinando que a base dos processos de intervenção socioeducativa subjacentes à Educação Social se focalize na procura do empowerment de grupos populacionais mais fragilizados tendo em conta a disponibilidade relativa de determinados recursos ou capacidades. Assim, por exemplo, se, para alguns grupos, a elevação da idade pode constituir um critério para a exclusão social numa sociedade fortemente assente sobre o primado da eficácia, da eficiência e da produtividade físicas, para outros poderão ser os deficits culturais (medidos a diversos níveis) que poderão concorrer para esse fim. De igual modo, para outros grupos, ainda, essa exclusão social poderá decorrer da pertença a minorias (étnicas, por orientação de género, religiosas, etc.); in extremis a exclusão social materializar-se-á na privação da liberdade decorrente da violação, pelos mais diversos caminhos, das normas sociais. Desta forma, ao Técnico Superior em Educação Social cabe sempre, em última instância, fomentar o envolvimento ativo desses grupos de pessoas em projetos que, apoiando-se nos seus próprios recursos, mobilizando a sua participação plena e mediante o apelo a redes organizadas de respostas sociais, se estabeleça como meta conseguir uma melhoria das suas condições de vida. Assim, é então tão válido, em termos do conceito de inclusão social, reconfigurar a conceção de vida de um idoso como alguém que já não tem utilidade no sistema produtivo contrapondo-lhe o conceito de envelhecimento ativo; como, para um toxicodependente cronicamente estigmatizado pela sua adição a uma ou mais substâncias psicoativas, a contraposição dos conceitos de redução de danos e/ou a minimização de riscos decorrentes da referida adição a uma substância psicoativa, permitindo-lhe viver com a sua adição mais como uma contingência variável do que como uma impossibilidade total; paralelamente, ainda tendo por base esse mesmo conceito de inclusão social, reconfigurar a imagem, e as consequências que dela resultam, do indivíduo recluso como alguém cronicamente excluído pelo estigma de presidiário para alguém que, através de respostas sociais adequadas, pode voltar a ter um lugar válido na sociedade Em ambos os casos, o que se procura alcançar é uma reconfiguração do autoconceito do indivíduo, lado a lado com uma tentativa de diminuir alguma da estigmatização social associada a essas circunstâncias de vida, na senda da melhoria das condições de vida dessas pessoas, respeitando a sua natureza idiossincrática e os condicionalismos decorrentes do seu contexto. Públicos diferentes com problemas diversos aos quais o Educador Social procura responder diferentemente, mas sempre na senda da sua maior inclusão, ou menor exclusão social.


Palavras-chave


Educação Social, Intervenção Comunitária

Apontadores

  • Não há apontadores.