Via Aérea Difícil em Emergência Pré-Hospitalar

Realidade Portuguesa

  • Solange Amaro Hospital Prof. Doutor Fernando da Fonseca
  • Maria Máximo
  • Simão Rodeia
  • Patrícia Freitas
Palavras-chave: Algoritmos;Intubação Traqueal; Manuseio das Vias Aéreas; Obstrução das Vias Respiratórias; Serviços Médicos de Emergência

Resumo

Introdução: Estima-se que o manuseio avançado da via aérea seja particularmente difícil no contexto da emergência pré-hospitalar. Pela inexistência de dados portugueses, pretendeu-se caracterizar a incidência de intubação difícil e falhada neste ambiente e entender qual o expertise dos médicos nesta área, materiais adjuvantes mais usados e potencialmente úteis.

Métodos: Realizou-se um inquérito online, anónimo, dirigido aos operacionais médicos das 44 Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) nacionais.

Resultados: Obtiveram-se 120 respostas válidas. Foram reportadas 1878 intubações traqueais num ano, 378 difíceis (20%) e 78 falhadas (4%). Constatou-se que os médicos não-anestesiologistas apresentam maior ratio de intubação falhada face aos anestesiologistas (p = 0,006) e o mesmo acontece com os médicos que procedem a intubação menos de uma vez por semana face aos que intubam mais de uma vez por semana (p= 0,003). O condutor foi o equipamento mais usado em via aérea difícil e o videolaringoscópio foi o mais apontado como potencialmente útil. Para a maioria, a formação dos médicos
nesta área é insuficiente.

Discussão: Perante os resultados surge a necessidade de desenvolver algoritmos e programas de treino regular dos médicos que trabalham no pré-hospitalar. O videolaringoscópio deve ser equacionado neste
ambiente. Apresentamos uma proposta de algoritmo de abordagem da via aérea no pré-hospitalar.

Conclusão: A abordagem da via aérea é competência necessária dos profissionais de emergência pré-hospitalar, sendo fulcral a sua efetiva capacitação. A existência de protocolos de via aérea difícil e novos
materiais adjuvantes poderão facilitar a abordagem destes casos.

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Publicado
2019-09-16
Como Citar
Amaro, S., Máximo, M., Rodeia, S., & Freitas, P. (2019). Via Aérea Difícil em Emergência Pré-Hospitalar. Revista Da Sociedade Portuguesa De Anestesiologia, 28(3), 167-173. https://doi.org/10.25751/rspa.18115