Editorial do Suplemento da Revista da SPA ao Congresso Anual da SPA 2013

Autores

  • Pedro Amorim
  • Paulo Sá
  • António Augusto Martins
  • Lucindo Ormonde

DOI:

https://doi.org/10.25751/rspa.4095

Resumo

O presente número da Revista contém os resumos das comunicações científicas seleccionadas para apresentação no Congresso da SPA em 2013. São 96 as comunicações aceites, um número apenas ligeiramente inferior ao dos anos anteriores, mas um número de que nos devemos orgulhar já que representa um esforço assinalável de actividade científica num ambiente que se mantém difícil. Antes do mais queremos dirigir um cumprimento e agradecimento a todos os que enviaram os seus trabalhos para o Congresso, reconhecendo que tal representa nos dias de hoje um esforço louvável e uma capacidade assinalável para manter a motivação e o gosto por uma área, actividade científica, que no nosso meio depende quase exclusivamente de trabalho desenvolvido nas horas vagas e nos escassos tempos livres.

 

A sociedade Portuguesa passa por uma grande crise, cujos efeitos se agravaram ainda mais ao longo do último ano. Trata-se de uma crise que todos sentimos no dia a dia e que se manifesta também ao nível do sistema de saúde. Perante este cenário é fundamental preservar a qualidade da Anestesiologia, nomeadamente ao nível da formação dos internos e da manutenção de elevados standards clínicos. Felizmente que a formação tem visto a sua qualidade melhorar, resultado de múltiplos esforços e da enorme dedicação e entusiasmo dos jovens internos. A passagem do internato da especialidade a 5 anos, a elevação do nível das avaliações anuais e final, a valorização do currículo académico e da investigação, a generalização e valorização do Diploma Europeu de Anestesiologia, os múltiplos cursos e acções de formação organizados por diferentes serviços e por todos acarinhados, o desenvolvimento do uso de simuladores, tudo tem contribuído para a melhoria da formação dos internos de Anestesiologia. A Sociedade Portuguesa de Anestesiologia empenha-se em contribuir para este esforço, promovendo anualmente vários eventos científicos que culminam no congresso anual no qual as comunicações científicas merecem cada vez mais atenção e destaque.

Para o Congresso deste ano, o grupo encarregado da revisão e selecção das comunicações, bem como da moderação da sua apresentação, teve o cuidado de tentar melhorar o seu desempenho. Assim, assumiu uma constituição mais formal, na forma de Comissão Científica da SPA e, com o apoio da Direcção, promoveu uma reunião dos seus membros, numa reflexão de dois dias que se revelou muito produtiva. Desta reunião resultaram novas regras e por isso um novo regulamento para a submissão de comunicações científicas, o qual foi atempadamente publicado. Também se definiram novos prazos para o processo de submissão e selecção que permitiram que os autores conhecessem mais cedo o resultado das suas submissões. A Comissão Científica é constituída por 16 elementos e procura ter uma representatividade geográfica, geracional e científica. Os seus elementos trabalharam com grande entusiasmo e dedicação, mas sobretudo com um elevado empenho em tentar contribuir para a melhoria da qualidade das comunicações científicas e para a dignidade de todo o processo. Os debates no seio deste grupo foram intensos, traduzindo a paixão com que todos encaram a actividade científica. Quanto aos resultados, competirá ao leitor e aos autores de comunicações avaliar. Os elementos da Comissão Científica vão estar empenhados, durante o congresso, na interacção com os autores e com os participantes no congresso e nas sessões de comunicações, auscultando também opiniões e colhendo sugestões. No seguimento do congresso reunirão de novo num esforço de procura contínua de obter melhorias indo ao encontro dos desejos da direcção e dos interesses dos sócios da SPA e da Anestesiologia Portuguesa.

No que respeita às comunicações científicas ao congresso, importa fazer uma breve análise aos números mais recentes. Em 2011 houve 215 comunicações submetidas, tendo sido aceites 122 (taxa de aceitação 57%) com 54% de casos clínicos. Em 2012 houve 185 comunicações submetidas, tendo sido aceites 115 (taxa de aceitação 62%) com 44% de casos clínicos. Este ano de 2013 houve 195 comunicações submetidas, tendo sido aceites 96 (taxa de aceitação 49%), com 32% de casos clínicos. Constata-se que o número de submissões se tem mantido estável em redor das duas centenas e que a taxa de aceitação baixou consideravelmente este ano. Tal deve-se possivelmente ao facto de o processo de selecção ter sido mais exigente, algo já indicado no regulamento de 2013, resultado da decisão da Comissão Científica de promover qualidade em detrimento de quantidade. Esta preocupação pode ser discutível. No presente, a actividade científica é mais valorizada do que nunca na avaliação curricular dos internos, existindo naturalmente uma pressão grande para “publicar”. Tal representa um perigo, pois pode resultar num ambiente de tolerância excessiva que facilite a aceitação e publicação de trabalhos científicos. A SPA, através da sua direcção e da Comissão Científica, entende que é importante resistir a essas pressões e assegurar a manutenção de níveis elevados de qualidade. Esta atitude terá resultado numa redução do número de comunicações aceites este ano, mas resulta também no que nos parece ser uma clara melhoria de qualidade. Claro que tal se deve essencialmente aos esforços e ao trabalho de quem investiga e estuda e analisa e partilha os resultados dessa actividade, os autores das comunicações que aqui apresentamos.

A melhoria da qualidade das comunicações é também reflectida no facto de o número de casos clínicos aceites ter vindo a diminuir de modo assinalável: 54% em 2011, 44% em 2012 e 32% em 2013. Não é tanto pela redução dos casos clínicos que concluímos pela melhoria da qualidade, mas sim pelo facto de esta redução representar um aumento do número de estudos, sejam análises retrospectivas, estudos clínicos prospectivos ou mesmo estudos laboratoriais.

Ao longo desta Revista o leitor irá encontrar inúmeros motivos de interesse nas mais diversas áreas da nossa especialidade. Há casos clínicos muito interessantes, que muito valorizamos, e por certo que haverá muitos mais na nossa prática ao longo do ano que não são relatados. Há várias análises da prática dos serviços, auditorias, avaliação do grau de satisfação dos doentes e da eficácia dos serviços. Discutem-se novas técnicas e apresenta-se nova tecnologia. Há vários estudos muito interessantes nas áreas da dor e da anestesia loco-regional, traduzindo o carinho especial por estas áreas. Há vários estudos que reflectem bem a preocupação actual com o bem-estar dos doentes, com a qualidade e segurança dos nossos cuidados e com o outcome dos doentes.

Para além da melhoria da qualidade é de assinalar o facto de termos comunicações oriundas de todo o país, do Minho e Trás-os-Montes ao Alentejo, das Beiras à ilha da Madeira e aos Açores. O Congresso e, nomeadamente, as sessões de apresentação e discussão dos posters serão por certo muito participadas, variadas e animadas. Para além do agradecimento aos autores pelo seu trabalho e pela sua presença, queremos sugerir a todos, autores e congressistas, que participem nas sessões de discussão de posters, já que é essa presença que enriquece a nossa formação e dá vida aos debates. É já uma tradição que as sessões de posters do Congresso da SPA sejam muito participadas e queremos lembrar a todos a importância de estarem presentes. Trata-se de uma das actividades mais importantes na vida da sociedade e tudo faremos para que mantenha visibilidade e dignidade.

Tal como é habitual, foram seleccionadas para apresentação oral as comunicações científicas melhor pontuadas. Todas as comunicações aceites na avaliação inicial por dois revisores sem qualquer reserva, várias dezenas, foram depois classificadas pelos 16 revisores. As dez que obtiveram pontuação mais elevada nesta avaliação pela totalidade dos revisores foram seleccionadas para apresentação oral e estão devidamente identificadas na Revista. Haverá uma sessão de noventa minutos para apresentação e discussão destas dez comunicações o que garante a possibilidade de troca de ideias e de debate.

Nada disto seria possível sem algumas colaborações dedicadas, Assim, uma palavra muito especial de reconhecimento pelo trabalho da empresa SKYROS - Congressos. Foi impecável o seu o trabalho competente e dedicado na gestão de todos os passos relacionados com as comunicações científicas. Também a qualidade do trabalho de produção da Revista, a cargo da Letra Zen, e o empenho com que foi realizado, merecem um agradecimento especial.

Queremos também agradecer publicamente o trabalho dos colegas que integram a Comissão Científica da SPA, cujos nomes são indicados abaixo e que não só reviram as comunicações submetidas como conduziram um longo processo de reflexão e de decisões no sentido de introduzir melhorias em todo o processo. Como sempre realizaram o seu trabalho nos seus tempos livres, sob pressão de datas limite e, claro, com sacrifícios pessoais. Mas fizeram-no motivados pela valorização da actividade científica e pela preocupação com a formação dos mais jovens. A sua colaboração, que se estenderá á moderação da apresentação dos posters e das comunicações orais, tem subjacente um importante sentido pedagógico.

As últimas palavras vão para os autores das comunicações. Congratulamo-nos com a forte participação numa das vertentes mais importantes do nosso congresso e endereçamos aos autores um agradecimento pelo interesse na vida da Sociedade e felicitações pela qualidade dos seus trabalhos. Sabemos que a maioria dos primeiros autores das comunicações são jovens internos: é para eles que vai grande parte da nossa atenção, é a pensar na sua formação que os revisores avaliam as comunicações e que todo este processo é conduzido. A Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, o seu Congresso e a sua Revista, mantêm o compromisso de dedicar espaço e atenção à atividade científica dos seus membros. Nestes tempos difíceis é ainda mais importante investir em formação e em qualidade, melhorar o nível científico da especialidade e com isso os níveis de exigência. Quanto mais e melhor estudarmos e reflectirmos e analisarmos a nossa prática, melhores os cuidados prestados, maior a segurança, melhor o “outcome”.

 

 

Pedro Amorim (Comissão Científica da SPA)

Paulo Sá Rodrigues (Comissão Científica da SPA)

António Augusto Martins (Editor da Revista da SPA)

Lucindo Ormonde (Presidente da SPA)

 

A SPA agradece a colaboração dos colegas que reviram as Comunicações Científicas:

 

António Augusto Martins – Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Cristina Ramos – Hospital Santa Marta, CHLC, Lisboa

Daniela Figueiredo - Hospital de Santo António, CHP, Porto  
Fernando Abelha – Centro Hospitalar S. João, Porto
Filipa Lança – Hospital Santa Maria, CHLN, Lisboa
Francisco Lobo - Hospital Santo António, CHP, Porto
Hugo Vilela - Hospital Santa Maria, CHLN, Lisboa  
João Viterbo – Centro Hospitalar S. João, Porto
Jorge Reis - Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia - Espinho
José Miguel Pêgo – Escola de Ciências da Saúde, Universidade do Minho, Braga  
Manuel Vico Avalos – Centro Hospitalar Tondela - Viseu

Patrícia O'Neill - Hospital Beatriz Ângelo, Loures  
Paulo Sá – Hospital Amadora Sintra, CVP e Clínica de Santo António, Lisboa  
Pedro Amorim - Hospital de Santo António, CHP, Porto  
Rosário Órfão - Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra  
Suzana Parente - Hospital S. Francisco Xavier, Lisboa

 

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Publicado

2013-03-15

Como Citar

Amorim, P., Sá, P., Martins, A. A., & Ormonde, L. (2013). Editorial do Suplemento da Revista da SPA ao Congresso Anual da SPA 2013. Revista Da Sociedade Portuguesa De Anestesiologia, 22, 5–6. https://doi.org/10.25751/rspa.4095

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