Da vasta solidão se faz fronteira
Nomadismo e geopolítica na Mongólia
DOI:
https://doi.org/10.34625/issn.2183-2705(39.1)2026.ic-2Palavras-chave:
Nomadismo, Mongólia, Eurásia, GeopolíticaResumo
Neste artigo, procurámos interpretar a importância do nomadismo na singular posição geopolítica da Mongólia, concebido não como um resquício atavístico, mas como uma medida deliberada de governação. Partindo do quadro teórico da geopolítica crítica, teorizada por Klaus Dodds, e do método histórico-sociológico da Escola Inglesa das Relações Internacionais, rejeitamos as os preconceitos deterministas e tardo-coloniais que mostram o nomadismo como um obstáculo securitário. Traçamos a tradição a tempos arcaicos, desde os vastos domínios de Chinggis Khan, até ao período da dependência soviética, que, tendo falhado na extinção nomadismo, adaptou a ideologia aos costumes locais através do negdel.
A ressurgência do nomadismo após a Revolução de 1990 é interpretada quer como necessidade, quer como uma proclamação nacional: um retorno consciente a meios que asseguram as fronteiras nacionais, fortificam as tradições culturais, e minoram o seu emaranhamento com infraestructuras permanentes, vulneráveis a interferência externa. Examinamos os perigos contemporâneos como a dependência energética, a erosão cultural, a fragilidade ecológica, e mostramos de que modo o nomadismo se mantém o escudo da Mongólia. Destarte, propomos que o nomadismo é uma maneira de viver e encarnar a geopolítica, âncora que a arrima de factores centrífugos causados pela força gravitacional dos seus vizinhos.
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