Operacionalização de um macrociclo de treino de nadadores masters

Authors

  • Gonçalo Silva Faculdade de Desporto da Universidade do Porto https://orcid.org/0000-0002-4444-7395
  • S Vilar Clube de Natação de Valongo
  • João Paulo Vilas-Boas Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
  • Susana Soares Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
  • Ricardo Jorge Fernandes Faculdade de Desporto da Universidade do Porto

DOI:

https://doi.org/10.6063/motricidade.25139

Abstract

A presente época desportiva caracterizou-se pela interrupção compulsiva do treino ocasionada pelas medidas governamentais de combate à COVID-19, pelo que se presumiu improvável a esperada evolução do rendimento. Com um planeamento bem estruturado e adaptado a nadadores masters (n= 4), suportado na avaliação da velocidade crítica (utilizando repetições máximas de 200 e 800 m crol), foi possível superar o destreino e melhorar o rendimento. A época foi dividida em dois macrociclos, o primeiro comportando as fases de preparação geral e específica (oito semanas cada), mas não se realizando o período competitivo (tendo-se-lhe seguido 11 semanas de paragem). O segundo macrociclo caracterizou-se por uma etapa de preparação geral de seis semanas (com aumento progressivo da carga de treino, utilizando um modelo de exposição à carga em formato de escada direcionada para o trabalho aeróbio extensivo), uma etapa de preparação específica de sete semanas (direcionada para a melhoria da resposta bioenergética específica e da proficiência técnica), um período competitivo de uma semana (com diminuição do volume e da intensidade absoluta e centrado na utilização de métodos competitivos) e um período de transição de três semanas (com diminuição da carga de treino e aumento da diversidade de estímulos motores aquáticos). O segundo macrociclo foi planeado com uma estrutura muito semelhante à do anterior, uma vez que no primeiro teste de avaliação e controlo do treino, realizado na quarta semana do período de preparação geral, o valor da velocidade crítica estava ainda abaixo do último valor obtido antes do confinamento (0,89± 0,14 vs. 0,94± 0,13 m.s-1). A reversão para valor semelhante (0,93± 0,12 m.s-1) ocorreu apenas à oitava semana de treino, já durante a etapa de preparação específica. Quatro semanas adicionais de potência glicolítica e tolerância lática permitiram que os resultados do Open de Verão fossem superiores aos estimados a partir do desempenho em treino. Espera-se que a informação exposta possa ser útil para racionalizar e objetivar processos de treino que decorram em condições semelhantes.

Published

2022-02-10

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