Repercussões da hospitalização prolongada na saúde mental de paciente em lista de espera para transplante cardíaco: relato de experiência

Autores

  • Maria Fernanda Dias Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, Brasil
  • Meire Cristina Novelli e Campos Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, Brasil
  • Erica Cristina Rodrigues De Campos Panelli Hospital das Clínicas, Botucatu, Brasil
  • Susana Regadas Escola Superior de Saúde Jean Piaget de Vila Nova de Gaia, Instituto Politécnico Jean Piaget do Norte, Vila Nova de Gaia, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47615

Palavras-chave:

Saúde Mental; Transplante Cardíaco; Hospitalização Prolongada; Enfermagem; Unidade de Terapia Intensiva

Resumo

Introdução: Embora o transplante cardíaco represente a principal alternativa terapêutica para pacientes com insuficiência cardíaca avançada, a escassez de órgãos compatíveis frequentemente prolonga o tempo de espera e de hospitalização. Esse contexto favorece sofrimento psicológico, ansiedade e comprometimento da qualidade de vida, exigindo acompanhamento multiprofissional contínuo.

Objetivos: Refletir sobre as repercussões da hospitalização prolongada na saúde mental de paciente em lista de espera para transplante cardíaco, observadas durante estágio curricular supervisionado em unidade de terapia intensiva cardiológica.

Material e Métodos: Relato de experiência, de caráter descritivo, desenvolvido a partir das vivências de académica de enfermagem durante estágio curricular supervisionado realizado entre fevereiro e maio de 2026, em unidade de terapia intensiva cardiológica de hospital de referência do interior de São Paulo, Brasil. A experiência envolveu observação da assistência prestada ao paciente aguardando transplante cardíaco, com enfoque na saúde mental e participação em ações de acolhimento, escuta qualificada e apoio emocional. As informações foram registadas em diário de campo e analisadas mediante reflexão crítica fundamentada na literatura científica.

Resultados: Acompanhou-se um paciente adulto com doença cardíaca avançada, internado por aproximadamente 200 dias enquanto aguardava transplante cardíaco. Observou-se sofrimento psíquico persistente, caracterizado por ansiedade situacional, alterações do sono e desesperança relacionada à incerteza terapêutica. O afastamento do convívio familiar, social e das atividades habituais contribuiu para o agravamento do sofrimento emocional, evidenciado por relatos de preocupação com familiares, sensação de isolamento e angústia diante do tempo de espera pelo transplante. Os achados convergem com a literatura, que reconhece a espera prolongada como fator de vulnerabilidade psicossocial, associado à redução da qualidade de vida. Destacaram-se intervenções de enfermagem baseadas na escuta qualificada, acolhimento e suporte emocional, favorecendo a expressão de sentimentos e o fortalecimento do vínculo terapêutico.

Conclusões: A hospitalização prolongada associada à espera por transplante cardíaco produz repercussões significativas na saúde mental. Os achados reforçam a necessidade de integração do acompanhamento psicológico e das intervenções de enfermagem voltadas ao suporte emocional no cuidado de pacientes candidatos a transplante, destacando a importância da atuação multiprofissional para promover estratégias de enfrentamento e favorecer a integralidade da assistência durante o período de espera.

Publicado

2026-09-17

Como Citar

Dias, M. F., Novelli e Campos , M. C., Rodrigues De Campos Panelli, E. C., & Regadas , S. (2026). Repercussões da hospitalização prolongada na saúde mental de paciente em lista de espera para transplante cardíaco: relato de experiência. RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia – RACS, 8(SupIII). https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47615

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