TOV-Vision4Health: Telessaúde como Alavanca de Saúde Mental e Equidade no Tratamento da Tuberculose
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47619Palavras-chave:
Tuberculose; Telessaúde; Adesão Terapêutica; Saúde Mental; Qualidade de VidaResumo
Introdução: A tuberculose constitui um importante desafio de saúde pública, exigindo adesão terapêutica prolongada e estruturada. Para além das implicações clínicas, a doença acarreta impacto psicossocial significativo, nomeadamente estigma, isolamento e perturbações do bem-estar mental dos utentes e seus familiares, comprometendo a qualidade de vida, em especial nas populações mais vulneráveis. O modelo tradicional de Toma Observada Direta (TOD) presencial amplifica estas barreiras. A telessaúde emerge como resposta inovadora, possibilitando a supervisão terapêutica remota por vídeochamada numa abordagem humanizada e centrada na pessoa.
Objetivos: Avaliar o impacto da Toma Observada por Vídeochamada (TOV), no âmbito do projeto TOV-Vision4Health, na adesão terapêutica, qualidade de vida e saúde mental dos utentes com tuberculose, comparativamente ao modelo presencial, na região do Tâmega e Sousa.
Metodologia: Estudo descritivo-analítico de implementação, desenvolvido no Centro de Diagnóstico Pneumológico – Consulta Respiratória da Comunidade de Paços de Ferreira (ULSTS), entre julho de 2023 e novembro de 2025. A TOV assenta na plataforma LIVE/SPMS, com garantia de interoperabilidade, rastreabilidade e conformidade com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD). A metodologia seguiu os princípios do EIT Health e do Value-Based Healthcare (VBHC), com co-design entre utentes e profissionais, e monitorização sistemática de indicadores-chave de desempenho (KPIs) de adesão, satisfação, segurança e impacto psicossocial.
Resultados: Foram realizadas 4.011 teleconsultas de vídeo-TOD, posicionando a ULSTS como serviço nacional de referência (SPMS). Os resultados revelaram elevada adesão terapêutica, redução significativa de deslocações e satisfação plena dos utentes e profissionais. A supressão das deslocações diárias contribuiu para a mitigação do estigma associado à doença, redução do absentismo laboral e melhoria percepcionada do bem-estar psicossocial. A análise económico-operacional demonstrou redução substancial de custos diretos e indiretos face ao modelo presencial.
Conclusões: O TOV-Vision4Health demonstra efetividade clínica, eficiência operacional e valor económico, com impacto positivo documentado no bem-estar dos utentes com tuberculose. A telessaúde atenua barreiras psicossociais, promove equidade no acesso aos cuidados e concorre para as metas nacionais e internacionais de eliminação da tuberculose. O modelo revela potencial de escalabilidade para outras patologias crónicas que requerem monitorização terapêutica estruturada, afirmando-se como prática assistencial humanizada e centrada na pessoa, família e comunidade.
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 RevSALUS - Revista Científica Internacional da Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia – RACS

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.







