Telessaúde em Saúde Mental:
uma Revisão Narrativa Estruturada
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47637Palavras-chave:
Telessaúde; Saúde Mental; Telepsiquiatria; Saúde Digital; PortugalResumo
Introdução: A elevada prevalência das perturbações mentais constitui um desafio prioritário para os sistemas de saúde, agravado por desigualdades no acesso a cuidados especializados, escassez de recursos humanos e crescente procura assistencial. Neste contexto, a telessaúde emergiu como uma estratégia inovadora na prestação de cuidados em saúde mental, permitindo intervenções clínicas síncronas e assíncronas através de plataformas digitais. A sua expansão após a pandemia de COVID-19 reforçou a necessidade de avaliar criticamente a sua efetividade clínica, aceitabilidade e impacto na qualidade dos cuidados.
Objetivo: Analisar a evidência científica recente relativa ao impacto da telessaúde nos resultados em saúde mental, identificando benefícios, limitações e implicações para a prática clínica, com particular enfoque no contexto português.
Metodologia: Realizou-se uma revisão narrativa estruturada da literatura, orientada pelos princípios da Scale for the Assessment of Narrative Review Articles (SANRA). A pesquisa foi conduzida nas bases PubMed, Scopus e Web of Science, incluindo publicações entre janeiro de 2021 e março de 2025. Utilizaram-se os descritores “telehealth”, “telepsychiatry”, “digital mental health”, “mental health” e “Portugal”, combinados com termos MeSH relevantes. Foram incluídas revisões sistemáticas, meta-análises, estudos observacionais e investigações primárias que analisassem resultados clínicos, acessibilidade, aceitabilidade ou implementação da telessaúde em saúde mental. A síntese foi realizada por análise temática e integração crítica dos achados.
Resultados: A evidência demonstra que a telepsiquiatria apresenta eficácia clínica não inferior à consulta presencial no tratamento de perturbações depressivas, ansiosas e outras condições psiquiátricas prevalentes. A meta-análise de Hagi et al. (2023), envolvendo 32 ensaios clínicos aleatorizados (n=3592), identificou resultados clínicos equivalentes entre modalidades presenciais e remotas, com elevados níveis de satisfação. Em Portugal, Nogueira-Leite et al. (2024) verificaram que 31,4% dos participantes já utilizaram aplicações digitais de saúde mental, sendo a perceção de necessidade de apoio psicológico e os níveis de stress fatores associados à sua utilização. As principais limitações relacionam-se com privacidade, segurança da informação e literacia digital.
Conclusão: A telessaúde constitui uma abordagem eficaz, segura e potencialmente custo-efetiva na prestação de cuidados em saúde mental, contribuindo para melhorar o acesso e a continuidade assistencial. A sua integração requer reforço da governação digital, proteção de dados e capacitação tecnológica de profissionais e utilizadores.
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