Relações Métricas entre Úmero e Fémur em Restos Humanos
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupII.46609Keywords:
Antropologia Forense; Correlação anatómica; Identificação HumanaAbstract
Introdução: A análise de restos esqueléticos humanos em contexto forense pode permitir determinar a identidade e, potencialmente, a causa da morte, contribuindo para a resolução de crimes (Lacerda et al., 2025; Rodrigues et al., 2025). Os ossos longos (e.g., úmero, fémur) permitem a estimativa da estatura e a inferência de sexo, idade e ancestralidade. Devido à variabilidade genética interpopulacional, os métodos osteométricos aplicados a populações específicas podem ser inadequados para outras populações. Este aspeto reveste-se de particular importância no caso de restos humanos misturados (comingled human remains) como acontece, por exemplo, em valas comuns (Palmiotto et al., 2024).
Objetivo: Estabelecer correlações entre o úmero e o fémur para posterior associação de restos pertencentes ao mesmo indivíduo.
Material e Métodos: Nos 94 esqueletos da Coleção de Esqueletos Identificados da CESPU (CEIC; adultos falecidos entre 1946 e 2007) foram realizadas diferentes medições de úmeros e fémures, de acordo com a literatura específica, padronizadas e avaliadas pelo Coeficiente de Correlação Intraclasse (ICC). O ICC foi calculado com um modelo two-way random, absolute agreement, single measures, segundo a nomenclatura de McGraw & Wong (1996). Com recurso à correlação de Pearson (r), verificou-se a existência de correlações entre diferentes medições. O nível de significância estabelecido foi de 5%.
Resultados: Observaram-se correlações significativas entre o úmero e fémur, nomeadamente entre o comprimento máximo do úmero e os comprimentos máximo e fisiológico do fémur (r ≥ 0,867, p < 0,001). O diâmetro máximo da cabeça umeral correlacionou-se com o comprimento fisiológico do fémur (r ≥ 0,689, p < 0,001). A distância epicondilar apresentou a menor correlação com as restantes medições realizadas.
Discussão: As relações anatómicas entre úmero e fémur reforçam o potencial destes ossos na associação de segmentos esqueléticos dispersos, constituindo um critério complementar na estimativa do número mínimo de indivíduos.
Conclusão: A CEIC permite desenvolver métodos ajustados à população portuguesa contemporânea. Os rácios entre o úmero e o fémur permitem apoiar a identificação de vítimas, no contexto da Antropologia Forense, nomeadamente em casos de desastres de massa, crimes de guerra e valas comuns, em que frequentemente são encontrados segmentos esqueléticos dispersos ou incompletos.
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