Correlação Entre a Fragilidade e Outcomes no Perioperatório

  • Diana Rodrigues Departamento de Anestesiologia, Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto, Portugal.
  • Manuel Teixeira Almeida Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Porto, Portugal
  • Joselina Barbosa Departamento de Ciências da Saúde Pública e Forenses e Educação Médica. Unidade de Investigação e Desenvolvimento Cardiovascular, Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto, Portugal.
  • Joana Mourão Departamento de Anestesiologia, Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto, Portugal. / Departamento de Anestesiologia e Medicina Perioperatória, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Porto, Portugal.
Palavras-chave: Avaliação Geriátrica; Complicações Pós-Operatórias; Cuidados Perioperatórios; Fragilidade

Resumo

Introdução: O envelhecimento da população associa-se a um aumento do número de pessoas com fragilidade propostas para cirurgia eletiva, o que implica uma adequada gestão perioperatória destes doentes. O objetivo deste estudo foi aferir a existência de correlação entre a presença de fragilidade e outcomes pós-operatórios, incluindo duração de internamento, readmissão hospitalar, reintervenção,
complicações pós-operatórias e mortalidade.
Material e Métodos: Realizamos um estudo prospetivo observacional incluindo 100 doentes propostos para cirurgia eletiva num Hospital Universitário. A fragilidade foi definida como score ≥ 6 na escala Tilburg Frailty Indicator, na versão validada em português. O teste t de student e teste exato de Fisher foram usados para comparação.
Resultados: A prevalência de fragilidade no nosso estudo foi de 69%. Verificou-se uma associação entre a fragilidade e idade superior (p=0,02), sexo feminino (p=0,032) bem como classificação ASA-PS elevada (p = 0,013) tendo os doentes com fragilidade ficado mais tempo hospitalizados (p= 0,007) e apresentado maior readmissão hospitalar (p= 0,028). Não encontramos diferenças nas variáveis risco cirúrgico, tipo de anestesia, duração da cirurgia, Charlson Comorbidity Index, Lee Revised Cardiac Risk Index, presença de complicações e mortalidade.
Discussão: A prevalência de fragilidade encontrada foi superior à descrita na literatura, possivelmente por incluirmos apenas pacientes propostos para cirurgia. A principal limitação do estudo deve-se à heterogeneidade dos doentes no que refere à cirurgia realizada.
Conclusão: Neste estudo verificamos associação entre a presença de fragilidade e maior duração de internamento e readmissão hospitalar. A fragilidade demonstrou ser um bom score de previsão de
morbilidade no perioperatório.

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Publicado
2019-06-13
Como Citar
Rodrigues, D., Almeida, M., Barbosa, J., & Mourão, J. (2019). Correlação Entre a Fragilidade e Outcomes no Perioperatório. Revista Da Sociedade Portuguesa De Anestesiologia, 28(2), 96-101. https://doi.org/10.25751/rspa.17525