Biblioterapia em Tempos de Crise Climática

Propostas do Uso da Literatura Infantil como Forma de Acolhimento Pós-enchentes do Rio Grande do Sul

Autores

  • Luana Daniela Ciecelski Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc)
  • Jaimeson Machado Garcia Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) https://orcid.org/0000-0002-3398-6828

DOI:

https://doi.org/10.25755/int.42149

Resumo

As enchentes que atingiram o estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, em 2024 evidenciaram não apenas a vulnerabilidade das infraestruturas urbanas e sociais, mas também a fragilidade emocional de milhares de crianças afetadas pelo colapso climático. Neste artigo, investigamos o papel da biblioterapia como estratégia de escuta, acolhimento e elaboração simbólica do trauma infantil em contextos de desastres ambientais. A partir da análise de cinco obras infantis produzidas durante e após o período das enchentes — e que obtiveram alguma forma de visibilidade mediática —, discutimos como a literatura pode funcionar como ponte entre a dor e a palavra, entre o vivido e o narrado. O estudo ancora-se em referenciais teóricos de Petit (2009a, 2009b), Caldin (2001, 2009, 2024), Ouaknin (1996) e Sousa (2021), articulando os conceitos de leitura mediada, catarse, identificação e introspecção. Com base nas obras mapeadas, propomos atividades biblioterapêuticas voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental, fundamentadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). As propostas visam transformar o espaço escolar em território de escuta, cuidado e resiliência, fortalecendo a literatura como ferramenta de reconstrução subjetiva em tempos de crise. Diante da intensificação dos eventos climáticos extremos, defende-se a necessidade de integrar práticas sensíveis ao sofrimento infantil no cotidiano pedagógico.

Downloads

Publicado

2025-10-31

Como Citar

Ciecelski, L. D., & Jaimeson Machado Garcia. (2025). Biblioterapia em Tempos de Crise Climática: Propostas do Uso da Literatura Infantil como Forma de Acolhimento Pós-enchentes do Rio Grande do Sul. Revista Interacções, 21(72), 1–28. https://doi.org/10.25755/int.42149