Editorial
Vozes em ação: Percursos, Desafios e Oportunidades para uma Educação Autorregulada - Reflexões e práticas em torno da participação ativa dos alunos e da transformação pedagógica
DOI:
https://doi.org/10.25755/int.45250Resumo
A autorregulação da aprendizagem tem assumido um papel essencial central nos discursos educativos atuais, na investigação em educação e nas orientações curriculares, ao reconhecer que os alunos são agentes ativos na regulação do seu processo de aprendizagem e, como tal, são capazes de definir objetivos, de adotar estratégias de aprendizagem eficazes, de monitorizar o seu progresso, de refletir criticamente sobre as suas estratégias, e de reajustar o seu processo de aprendizagem. Esta edição especial intitulada “Vozes em ação: Percursos, Desafios e Oportunidades para uma Educação Autorregulada”, propôs-se trazer reflexões e práticas através de estudos teóricos e/ou empíricos sobre a participação ativa dos alunos, a transformação das práticas pedagógicas e o papel da escola na promoção de aprendizagens mais autónomas, conscientes e sustentáveis.
Nesta edição especial foram integrados e selecionados sete artigos, após um processo de revisão de pares cuidadoso com 3 revisores que asseguraram o rigor e qualidade científica.
Os artigos apresentam uma diversidade de abordagens, quer ao nível de análise quer ao nível dos contextos onde a autorregulação da aprendizagem pode ser operacionalizada e pensada criticamente. Os artigos apresentam contributos que abraçam diferentes dimensões: desde as políticas curriculares às práticas de sala de aula, da ação docente à voz dos alunos, e da avaliação formativa às tecnologias emergentes, demonstrando os desafios e as oportunidades que existem nesta área e no contributo para a inovação pedagógica.
Os artigos, em conjunto, refletem para a importância de ecossistemas educativos que valorizem a metacognição, a colaboração, a corregulação da aprendizagem, e a participação ativa como pilares de uma educação focada no papel do aluno no centro da aprendizagem.
A edição especial, abre com o artigo “Regulação da aprendizagem pelos alunos: mapeando a sua valorização nas políticas curriculares nacionais e influências transnacionais”, de Ana Cristina Torres, Artur Oliveira e Ana Eloisa Carvalho, onde se apresenta um mapeamento macro e crítico sobre o lugar atribuído à regulação e à autorregulação da aprendizagem nas políticas educativas em vigor em Portugal, em articulação com referenciais nacionais e internacionais. Deste mapeamento é evidenciada uma valorização ainda desigual e pouco explícita do papel ativo dos alunos na regulação das aprendizagens nas políticas nacionais, adversamente à centralidade atribuída a essa dimensão em agendas educativas internacionais.
Osegundo artigo, apresenta um plano intermédio entre políticas e práticas. O artigo “Metacognição e Avaliação Formativa na Prática Docente”, de Piedade Vaz-Rebelo, Carlos Manuel Folgado Barreira e Maria da Graça Amaro Bidarra, foca-se na metacognição como prática docente associada à avaliação formativa. Com base num estudo empírico com docentes de diferentes áreas disciplinares, o estudo aponta para os níveis elevados de conhecimento e controlo metacognitivo, porém, há ainda a necessidade de aprofundar a formação docente e de promover práticas de reconfiguração curricular que favoreçam o desenvolvimento da autorregulação da aprendizagem.
Depois são apresentados três artigos que se articulam em torno do Projeto WAY- “Quem te viu e quem te vê”, em que se explora a observação e o feedback entre pares como estratégias pedagógicas promotoras da autorregulação da aprendizagem.
O artigo “A promoção da aprendizagem autorregulada através da observação e feedback entre pares no Projeto WAY: princípios de ação e operacionalização do projeto”, de Ana Nobre, Ana Cristina Torres, Helena Silva e Daniela Pinto apresentam os fundamentos teóricos e metodológicos do projeto WAY, e a sua operacionalização, em que adotou metodologicamente o Design-Based Research. Apresentam-se alguns resultados que evidenciam impactos positivos ao nível das estratégias cognitivas, metacognitivas e das dinâmicas colaborativas em sala de aula.
Já o artigo “Observação e feedback entre pares na autorregulação das aprendizagens de estudantes do ensino secundário: experiência e perceções de professores”, de Caroline Dominguez, Andréa Lins, Teresa Morais e Helena Santos Silva, aborda as perceções dos professores envolvidos no projeto WAY, evidenciando o alinhamento das práticas com o modelo cíclico de autorregulação de Zimmerman (2023) e os desafios associados à gestão do tempo e à integração destas práticas nas rotinas curriculares dos professores.
Por outro lado, o foco na voz dos alunos é explanado no artigo “A voz dos alunos como promotora da autorregulação das aprendizagens”, de Uaiana Prates, Daniela Pinto, Rui Fonte e Thiago Freires. Recorrendo a uma abordagem qualitativa, os autores mostram como os alunos percecionam e valorizam a sua participação em processos de observação e feedback entre pares. Apresentam contributos para a autorregulação e a corregulação da aprendizagem, bem como os desafios associados ao papel do professor e às exigências do contexto escolar.
No sexto artigo, “Efeitos de uma Intervenção na Autorregulação da Aprendizagem: Um Estudo Longitudinal com o MSLQ”, de Eva Morais, analisa-se, numa perspetiva quantitativa e longitudinal, o efeito das intervenções educativas desenvolvidas no âmbito do Projeto WAY. O estudo utilizou a versão portuguesa reduzida do Motivated Strategies for Learning Questionnaire (MSLQ-PTS) para perceber a importância de fatores como coorte, sexo, idade e nível de escolaridade. Os resultados mostraram efeitos significativos de coorte e sexo em algumas subescalas o que sugere que fatores demográficos influenciam o desenvolvimento da autorregulação.
Esta edição finaliza com o artigo “Cartografia da autorregulação e corregulação da aprendizagem em estações conectivas OnLIFE”, de Aline Patrícia Sobral dos Santos, Izabela Soares de Souza e Fabia Magali Santos Vieira, que explora a discussão sobre autorregulação para contextos de formação inicial de professores mediados por tecnologias emergentes. Adotando uma pesquisa-intervenção cartográfica, o estudo explica como práticas pedagógicas OnLIFE podem promover a autorregulação, a corregulação e a participação ativa dos estudantes, em contextos assinalados por desigualdades digitais.
No seu conjunto, estes artigos demonstram que uma educação que apoia a autorregulação da aprendizagem constrói-se com base em eixos articulados entre políticas, práticas pedagógicas, ação docente, voz dos alunos e uso crítico das tecnologias, dando voz à participação ativa dos alunos e professores como um motor de transformação pedagógica e de aprendizagem ao longo da vida.
O nosso mais sincero agradecimento pela confiança e colaboração de todos os intervenientes que tornaram possível esta edição especial: autores, revisores, membros do conselho editorial e leitores.
Desejamos que todos os leitores encontrem nestes textos ideias inspiradoras, que estimulem a reflexão crítica em prol da autorregulação da aprendizagem ao longo da vida!
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