As crianças não são adultos em miniatura…
DOI:
https://doi.org/10.6063/motricidade.44686Palavras-chave:
Infância e adolescência, Exercício físico pediátrico, Treino de forçaResumo
O presente texto discute a evolução histórica e científica da compreensão da infância e da adolescência, defendendo que crianças e jovens não devem ser encarados como “adultos em miniatura”. Historicamente, a infância foi pouco diferenciada da idade adulta, quer na representação artística, quer na integração precoce no trabalho, realidade que apenas começou a mudar de forma consistente a partir do século XX, com a abolição progressiva do trabalho infantil e o reconhecimento das especificidades do desenvolvimento humano. Atualmente, o maior conhecimento científico permite compreender que crianças e jovens apresentam características físicas, fisiológicas e psicológicas distintas das dos adultos, nomeadamente nas respostas cardiovasculares, metabólicas e comportamentais ao exercício. Apesar dessas diferenças, as crianças possuem elevado potencial de adaptação e não apresentam limitações para a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa, desde que esta seja adequada à sua natureza lúdica, intermitente e motivacional. O texto enfatiza que a forma como as crianças se movem, em esforços curtos, intensos e intercalados com períodos de recuperação rápida, deve orientar a conceção de programas de exercício. O treino de força em crianças é analisado de forma crítica, desmontando mitos e preconceitos associados ao uso de cargas elevadas e ao aumento excessivo da massa muscular. Defende-se uma abordagem progressiva, baseada em exercícios supervisionados de desenvolvimento global. Conclui-se que a infância e a adolescência representam janelas de oportunidade únicas para o desenvolvimento da força, da saúde e das competências motoras, exigindo uma integração equilibrada entre ciência do exercício pediátrico e métodos pedagógicos motivadores.
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