Maus tratos na criança – Outra perspetiva da obesidade infantil
DOI:
https://doi.org/10.25753/BirthGrowthMJ.v32.i4.26514Palavras-chave:
índice de massa corporal, maus tratos, negligência, obesidade infantilResumo
A obesidade infantil é uma condição multifatorial. Casos extremos estão frequentemente associados à incapacidade de os cuidadores aderirem ao plano alimentar recomendado, apesar de alertados para os riscos potenciais associados ao seu não cumprimento.
Uma criança de sete anos de idade do sexo feminino, com índice de massa corporal (IMC) de 38,6 Kg/m2 (z-score +7,3) e diversas comorbilidades, foi seguida em consulta de Nutrição Pediátrica. Após várias tentativas de sensibilização da família dos potenciais riscos associados à obesidade, foi decidido em reunião multidisciplinar colocar a criança num centro de acolhimento. Com recurso a alimentação adequada e prática regular de exercício físico, foi observada uma melhoria notória do IMC (23,5 kg/m2; z-score +2,06). Após três anos, a rapariga regressou a casa da família por decisão do tribunal, com subsequente agravamento do IMC (máximo de 40,7 kg/m2; z-score +4,07), apesar da informação transmitida pela equipa médica ao serviço social e ao tribunal.
Os cuidadores desempenham um papel essencial na prevenção da obesidade infantil. A recusa persistente no cumprimento de recomendações terapêuticas, juntamente com indiferença perante sinais de gravidade, preenchem critérios de maus tratos.
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