Atrésia esofágica: 10 anos de experiência de um serviço de cuidados intensivos pediátricos

Autores

  • Liliana Pinho Serviço de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital Pediátrico Carmona da Mota, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
  • Maristela Margatho Serviço de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital Pediátrico Carmona da Mota, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
  • Andrea Dias Serviço de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital Pediátrico Carmona da Mota, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
  • Carla Pinto Serviço de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital Pediátrico Carmona da Mota, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
  • Maria Francelina Lopes Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital Pediátrico Carmona da Mota, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
  • Farela Neves Serviço de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital Pediátrico Carmona da Mota, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

DOI:

https://doi.org/10.25753/BirthGrowthMJ.v23.i3.8693

Palavras-chave:

Atrésia esofágica, cirurgia, complicações, evolução

Resumo

Introdução/Objetivos: A atrésia esofágica (AE) é uma malformação congénita com prognóstico variável. Os objetivos do estudo foram estabelecer a incidência de AE na região centro, caracterizar os lactentes com AE admitidos e comparar a evolução após cirurgia, atendendo ao tipo de AE.

Métodos: Estudo descritivo com colheita retrospetiva de dados dos lactentes admitidos no Serviço de Cuidados Intensivos (CIPE) no pós-operatório de AE, entre 2002 e 2011. Foram analisados os seguintes parâmetros: características dos doentes, classifi cação da AE, tipo de cirurgia, morbilidade e mortalidade. Comparação dos dois grupos de acordo com a classificação da AE.

Resultados: Foram admitidas 34 crianças, 65% do sexo masculino. A mediana da idade gestacional foi 36 semanas e do peso ao nascer 2310g. Foram detetadas malformações associadas em 19 crianças, sobretudo cardíacas. Nove casos foram classificados como hiato longo (HL). A opção cirúrgica mais frequente foi laqueação de fístula e esófago-esofagostomia primária (n=27). Registaram-se complicações precoces em 13 lactentes (38%), sobretudo deiscência da anastomose, não se registando diferença em relação ao tamanho do hiato (p=0.704). A duração do internamento em cuidados intensivos e o tempo de ventilação mecânica foram superiores nas situações de HL(p=0.009 e p<0.001 respetivamente) e na presença de malformações associadas (p=0.027 e p=0.003 respetivamente). Não se registaram óbitos.

Conclusões: A frequência de malformações associadas obriga a um rastreio sistemático. A presença de HL e malformações associadas foram os principais determinantes da duração de internamento em cuidados intensivos e do período de ventilação mecânica nos doentes com AE.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Holland AJA, Fitzgerald DA. Oesophageal atresia and trachea-oesophageal fi stula: current management strategies and complications. Paediatric Respiratory Reviews 2010; 11:100-7.

Kovesi T, Rubin S. Long-term complications of congenital oesophageal atresia and/or tracheo-oesophageal fi stula. Chest 2004; 126:915-25.

Spitz L. Oesophageal atresia. Orphanet J Rare Dis 2007; 2:24.

Jong EM, Felix JF, Klein A, Tibboel D. Etiology of oesophageal atresia and tracheooesophageal fi stula: “mind the gap”. Curr Gastroenterol Rep 2010; 12:215-22.

Solomon BD. VACTERL/VATER association. Orphanet J Rare Dis 2011; 6:56.

Pedersen RN, Calzolari E, Husby S, Garne E; EUROCAT Working group. Oesophageal atresia: prevalence, prenatal diagnosis and associated anomalies in 23 European regions. Arch Dis Child 2012; 97:227-32.

Aslanabadi S, Ghabili K, Rouzrokh M, Hosseini MB, Jamshidi M, Adi FH, et al. Associated congenital anomalies between neonates with short-gap and long-gap oesophageal atresia: a comparative study. Int J Gen Med 2011; 4:487-91.

Hunter CJ, Petrosyan M, Connelly ME, Ford Hr, Nguyen NX. Repair of long-gap oesophageal atresia: gastric conduits may improve outcome – a 20-year single center experience. Pediatr Surg Int 2009; 25:1087-91.

Driver CP, Shankar KR, Jones MO, Lamont GA, Turnock RR, Lloyd DA, et al. Phenotypic presentation and outcome of oesophageal atresia in the era of the Spitz classifi cation. J Pediatr Surg 2001; 36:1419-21.

Goldstein B, Giroir B, Randolph A. International pediatric sepsis consensus conference: defi nitions for sepsis and organ dysfunction in pediatrics. Pediatr Crit Care Med 2005; 6:2-8.

Krogh C, Gørtz S, Wohlfahrt J, Biggar RJ, Melbye M, Fischer TK. Pre and perinatal risk factors for pyloric stenosis and their influence on the male predominance. Am J Epidemiol 2012; 176:24-31.

Burge DM, Shah K, Spark P, Shenker N, Pierce M, Kurinczuk JJ, et al. Contemporary management and outcomes for infants born with oesophageal atresia. Br J Surg 2013; 100:515-21.

Koivusalo AI, Pakarinen MP, Rintala RJ. Modern outcomes of oesophageal atresia: Single centre experience over the last twenty years. J Pediatr Surg 2013; 48:297-303.

Lopes MF, Botelho MF. Midterm follow-up of esophageal anastomosis for esophageal atresia repair: long-gap versus non long-gap. Dis Esophagus 2007; 20:428-35.

Lopes MF, Reis A, Coutinho S, Pires A. Very long gap esophageal atresia successfully treated by esophageal engthening using external traction sutures. J Pediatr Surg 2004; 39:1286-7.

Mansur SH, Talat N, Ahmed S. Oesophageal atresia: role of gap length in determining the outcome. Biomedica 2005;

:125-8.

Downloads

Publicado

2016-03-01

Como Citar

1.
Pinho L, Margatho M, Dias A, Pinto C, Lopes MF, Neves F. Atrésia esofágica: 10 anos de experiência de um serviço de cuidados intensivos pediátricos. REVNEC [Internet]. 1 de Março de 2016 [citado 4 de Abril de 2025];23(3):140-4. Disponível em: https://revistas.rcaap.pt/nascercrescer/article/view/8693

Edição

Secção

Artigos Originais

Artigos mais lidos do(s) mesmo(s) autor(es)